segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Dizem que frio é psicológico...e o calor?

Chovendo

Cai a chuva na Linguística
Saussure está molhado
Chomsky espirra num canto
Bloomfield choraminga
porque está molhada sua blusa favorita
E Mattoso sorri das gotas caídas no livro.

Chove na Gramática
Pasquale está chovido
Infante olha pela janela
(não se molha)
Cunha, Cunha
Não corra, não procura a marquise
Deixa a chuva te pegar.

Chovendo na Literatura:
Ninguém reclama
E mal se preocupam em abrir o guarda-chuva...
Pessoa olha as gotas caindo no mar salgado português:
"Adoça um pouco Portugal, chuva..."
Cruz e Sousa vê a chuva desfazendo as brumas...nem liga.
Camões olha o Tejo, o Tejo sorri a Camões.
Machado ri, molhou-se na lama a cartomante.
Lima Barreto que caminhava com Marramaque
Viu Clara dos Anjos molhar a barra do vestido
na poça d'água.

O que chove nos românticos são as lágrimas do céu.
Nos modernistas, a chuva chove frag-men-ta-da.
A chuva nem chega perto da torre de marfim dos parnasianos:
"Sou simples - diz a Chuva - e eles complicam tudo."
Chovem miúdos anjinhos no barroco.

 (E não chove nada
Em que está debaixo
Do teto da faculdade agora.
Mas nem é por nada não
É só porque está um sol de rachar a cuca lá fora.)


PS: Só uma postagem sobre uma chuva imaginária que caiu no meio da aula de História do Pensamento Linguística. Professora Milena que me desculpe, mas eu tive que escrever essa besteira no meio da sua aula.
rsrsrsrsrs (mil risos)
E sobre o "chovido" no Pasquale, é só uma brincadeira, tá, prof. Fernando?


2 comentários:

Fernando Vieira Peixoto Filho disse...

Que bonito, Mariana! Parabéns!

Valéria Lourenço disse...

Lindo Mariana, sigamos em frente nessa bela e árdua tarefa: escrever (rs).