quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dorian Gray agarrou o objeto e esfaqueou o quadro.



Canto, mas um sonho triste me acomete
nessas noites de medo e angústias sem preço.


Ainda me iludo
E sonho.
Ainda me lembro
E escuto meus pensamentos.

Cada passo, um canto
Canto de pássaro, canto de mesa
Cada olhar, uma lembrança
Doce ou amarga, morta ou viva.

E eu, saiba, eu poderia escrever eternamente
E ainda assim ideias existiriam
E aqui estariam para serem romanceadas.
Palavras inexatas
Loucas
Sem nexo, nem princípios
Nem fins, nem meios.

Crueldade informatizada
Ódio globalizado
Sangue intergaláctico
E o passado tomou a pílula da juventude
Ou a água do poço da imortalidade?

Agora, confesso:
Já escrevi palavras mais bonitas, ousadas
lânguidas como a princesa no colo do príncipe
sólidas como a porrada na cara
líquidas como a lágrima fria
e invisíveis como a dor n'alma.




Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
...
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus, ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

2 comentários:

Fernando Vieira Peixoto Filho disse...

Estou gostando muito das coisas escritas aqui!

Parabéns, querida!

Alexandra Moraes disse...

"(...) Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas.
(...)"