sábado, 18 de dezembro de 2010

Prometeu Acorrentado a Medéia. Édipo em guerra contra Zeus. Cronos caminhando apressado.

Vou me deixar guardada
Aqui nestas palavras em semente
E vou pra bem longe, bem longe

Quero aprender como as asas batem
Porém, quero batê-las por mim mesma.
Caminhar com meu próprios pés.
Tocar minhas experiências.
Cantar para meu próprio coração.
Chorar minhas dores perdidas
Dentro de mim mesma.
Viver minha vida como eu quiser.

E falar...ah! Falar o que eu sentir bem aqui
Dentro, profundo no fim de mim mesma.
Escrever até quando as palavras sobreviverem
A tantos traumas e trancos.
Estudar, ler, pesquisar, tudo isso é viver.
É dar significado.
E no fim, morrer...
Marcada de cicatrizes no corpo e na alma.
Morrer livre, voltar à terra e viver na alma das flores.
Sem levar lembranças, desilusões,
Sem me deixar levar.

Hoje vou caminhar sem ouvir música no celular
Hoje vou caminhar apenas com a música do vento
Que cantará em meu ouvido seu lamento.

As cartas do tarô ainda estão viradas sobre a mesa
O Mago
A sacerdotisa
A torre fulminada
A estrela


Serão esquecidas e apagadas como quando o sol evapora
A água da chuva que
Molhou, por amor,
A folha da árvore.




"Ir pra longe de mim mesma, além de qualquer pensamento e cor
Além de qualquer céu, sem querer achar qualquer paraíso
Ir além da imaginação, além da Lua e do Sol
Além das nuvens, através das estrelas
Viajar na velocidade da Luz
Fugir, correndo pelo espaço afora
Espaço vazio de ar, vazio de luz, vazio de cor, vazio de solidão
Vazio de mim e de ti
Sem nada nem ninguém.
Correr ao longo de todo o Universo, correr no infinito
Além da compreensão, além de qualquer sensação que se possa ter.
Nadar no não-ar, tocar o vácuo
Respirar a negação do oxigênio... o céu escuro, o frio e as milhões de estelas ao longo do corpo a fazer cócegas.
Morrer em meio à poeira das estrelas... viver eternamente purificado pelas explosões do Universo.
Viver na consciência cósmica
Como parte do Nada
Vazio e indivisível
Ver com os olhos do Universo todas as coisas que nele há
Mexer um dedo e sentir todo o calor de um Sol dentro de si
Sentir todo o Amor do Universo
Sentir suas dores
Ouvir a música das estrelas... o som do Universo
O som da Criação divina.
Eis a vida!
Eis a gota que escorre de nós em cada existência: eis a alegria que invade o Universo e que balança as palmeiras de Vênus.

-Como os terráqueos são alegres!
Então vem a dor... As dores.
E tudo que era doce fica amargo. E as palmeiras de Vênus já não balançam mais.
E o ser humano esquece que também há um Deus Universal que zela por todos.
E acaricia a dor, a remói, e guarda para sempre... como se o tempo não passasse.
Como se os Tempos não passassem...
E eles não carregam mais seus filhos nos braços... só dores incalculáveis.
Carregam-nas por todo o corpo... Em pequenos pedaços partidos, para não pesarem demais...Mas pesam assim mesmo.
Impede-os de alçarem vôo e encontrarem sua Divindade.
O vôo da liberdade de encontrar Deus.
E se tornarem música.
Assim as palmeiras de Vênus voltam a balançar-se e todo o Universo desperta."



"Quando é noite apenas nos corações
E ainda a escuridão não chegou aos céus
Quando a noite está apenas em nossas mentes
E o dia ainda está no relógio,
Sentimos o frio enregelante a habitar os profundos palácios perdidos no tempo e no espaço.
Aqui não há dia nem sol nem calor nem silêncio...
Aqui só há os que gritam, falam mal, se debatem aos pés de quem ainda consegue caminhar...
Aqui só há dor e guerra, uma loucura sangrenta e infinita."





"E esta velha Lua Crescente
Aqui, bem em cima de mim
Lembra-me de tempos tão antigos
Conta-me histórias mais velhas que a Mãe Terra
E sim, sim, ainda posso ver
As planícies espraiadas
As florestas geladas
Os eucaliptos enluarados
Os druidas escondidos
Com suas brancas roupagens
Cantando a Velha Música das Esferas Celestes que são habitadas por anjos
E orando aos Deuses pelo Futuro tão obscuro deste planeta."

3 comentários:

alexandramoraes disse...

Lindo!

Fernando Vieira disse...

Neste blogue está uma literatura sincera, bonita, que põe a arte em seu devido lugar.

Quanto ao "anônimo" aí em cima (que não é tão "anônima" assim), a julgar pelo despeito explicitado, deve adorar de paixão tudo que se publica neste espaço. E eu sinto um pouquinho de pena dessa "anônima" que diz que odeia para dizer que ama...

♪ Não te dizer o que penso já é pensar em dizer... disse...

O blogue está lindo Mariana. Parabéns por tanta sensibilidade e bom gosto!

Visitarei sempre!

Beijos, Ju :)