sábado, 11 de dezembro de 2010

A sereia

"Sereia linda, sereia bela
Saia do mar, venha brincar na areia..."

Dentro do mar azul profundo, existe uma movimentação introspectiva numa sereia. E, de repente, ela duvida de si mesma; de sua existência; da crença que lhe dão os seres humanos. Duvida de que possa existir mulher e peixe num corpo só, de que realmente não seja um sonho, um delírio. Duvida de que respire embaixo d'água, duvida do amor do príncipe, duvida mesmo de que ele seja encantado.
Duvida de tudo daquele mundo de moluscos e águas-vivas e, chorando, grita que o mundo real é de oxigênio, de asfalto, de celulares e dos seres humanos.

Ela definha, grita, seca e, calada, se transforma em coral.

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