quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Trechos de leituras

"E dizem-me a gemer: “De Jove aluno,
De rever-te folgamos, qual se aos campos
Volvêssemos da pátria. Ora nos conta
O infortúnio dos nossos.” — Eu me apresso
A animá-los: “Varemos o navio,
O que ele encerra em grutas recolhamos;
Vinde comigo todos, que os amigos
No palácio de Circe à farta vivem."
Odisséia - Homero


ATRÁS DOS OLHOS DAS MENINAS SÉRIAS
Aviso que vou virando um avião. Cigana do horário
nobre do adultério. Separatista protestante.
Melindrosa basca com fissura da verdade. Me
entenda faz favor: minha franqueza era meu fraco, o
primeiro side-car anfíbio nos classificados de
aluguel. No flanco do motor vinha um anjo
encouraçado, Charlie’s Angel rumando a toda para
o Lagos, Seven Year Itch, mato sem cachorro. Pulo
para fora (mas meu salto engancha no pedaço de
pedal?), não me afogo mais, não abano o rabo nem
rebolo sem gás de decolagem. Não olho para trás.
Aviso e profetizo com minha bola de cristais que vê
novela de verdade e meu manto azul dourado mais
pesado do que o ar. Não olho para trás e sai da
frente que essa é uma rasante: garras afiadas, e
pernalta.
Ana C.

Ao meio-dia o sonho o visitara em sua forma mais assustadora. Ele estava sentado num banco no pequeno parque perto do Water Tower Place. Alguém tinha largado um jornal ali, e quando o abriu ele viu o anuncio: “Amanhã: o Vampiro Lestat Ao Vivo em São Francisco”. A TV a cabo transmitiria o show às dez horas da noite, horário de Chicago. Que ótimo para aqueles que ainda moravam dentro de casas, podiam pagar o aluguel, tinham eletricidade! Teve vontade de rir daquilo tudo, deliciar-se, divertir-se com tudo, com a surpresa que Lestat fizera a todos. Mas um arrepio o percorreu, transformando-se num choque profundo e perturbador. E se Armand não estiver sabendo? Mas as lojas de discos na Ilha da Noite devem ter o Vampiro Lestat nas vitrines. Deviam estar tocando aquelas canções obsedantes e hipnóticas nos salões elegantes.
Anne Rice


[DA LUA AOS RAIOS PRATEADOS]
Da Lua aos raios prateados
Que no horizonte se espargem,
Como fulguram os prados
Da lua aos raios prateados,
Há vagos silfos alados
Do rio azul pela margem
Da lua aos raios prateados
Que no horizonte se espargem.
Cruz e Sousa

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