terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pretending

Posso escrever e posso apagar.
Posso não escrever absolutamente nada, e assim, não ter nada pra apagar.
Posso escrever tudo que aos meus olhos escapa, posso descrever cada centímetro que às minhas mãos escapa.
"Convenci-me de que Haller era um gênio do sofrimento; que ele, no sentido de várias acepções de Nietzsche, havia forjado dentro de si uma capacidade de sofrimento genial, ilimitada e terrível.
Também me apercebi de que a base de seu pessimismo não era "o desprezo do mundo'', mas antes o desprezo de si mesmo, pois podendo falar sem indulgência e impiedosamente das instituições e das pessoas, nunca se excluía a si próprio; era sempre o primeiro a quem dirigia suas setas, o primeiro a quem odiava e desprezava."
Percebi que dizer o que quero não é o que querem
dizer é pecado
calar é ser esperto.
Não tá funcionando mais...Não tô vendo o futuro.
"Em vez de destruir sua personalidade, conseguiu aprender somente a odiar a si mesmo. Contra si próprio, contra esse objeto nobre e inocente, dirigiu a vida inteira toda a genialidade de sua fantasia, toda a força de seu poderoso pensamento."
Não se sabe por onde correr, para onde ir...estamos todos perdidos, deslocados, alucinados...
Corro por todos os cantos, por todos os lados
E só me movo, só me movo por entre as teclas do notebook.
Nado, nado, nado no nada, por mais clichê que seja: estou perdido, Haller...
Como pode me ajudar, Nietzsche?
Manderlay, Dogville, por onde andará minha cabeça?
Por qual país caminhará minha mente?
Onde estarei no futuro?
Por qual caminho caminharei sem ser perseguida por...e se?
E por mais que meus dedos circulem por minhas têmporas
As aspirinas não funcionam mais...nem os neurônios funcionam.
Seguro o copo com as duas mãos
Olho a bebida com calma
O que vai acontecer daqui a dois goles?
O que vai acontecer depois de duas falas do Nicolas Cage?
No tempo necessário, temos tempo a perder, nada a vencer nem a perder. Pra quê?
"Haller fitou-me e compreendi que o havia despertado de uma espécie de transe.
Começou a sorrir lentamente, com aquele seu riso belo e triste que tantas vezes me
enchera de amargura o coração, convidando-me em seguida a sentar-me ao seu lado."
E, então, se eu abrir a porta da frente pra chuva molhar meus pés, vou melhorar?
Mas, pra quê? Amanhã não adianta mais, nem se a internet tivesse boa e a garrafa azul estivesse cheia...
Haller...não sorria assim pra mim...Haller, fica aqui.
Seu coração não se repetiria tanto se houvessem mais palavras, mais chances, menos problemas. Seu coração flutuaria livremente perto de mim guiado por um barbante amarrado a meu pulso.
Mas não.
Não quero teu coração assim. Quero só teu sorriso assim.
E do meu dinamismo psiquiátrico já estou na estapafúrdia melancólico-romântica.
Reze. de mãos abertas, esperando a benção, esperando o Amor, esperando a paz.
Como alguma coisa vai acontecer?
Abra o para-quedas!
Quando?
Nunca...e ponto.






Os trechos em parênteses são do livro: O lobo da estepe de Herman Hesse.

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