segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Uma viagem

Escrevo tentando manter a sanidade.
Estou sem inspiração.

Olhando o céu, esperando algo.
Vendo o brilho longíquo das estrelas, que já morreram, que já passaram...
E suas luzes continuam por léguas e anos-luz...
Tento, disfarçadamente, sorrir sem desanimar
Pensando num futuro melhor de viver,
Pensando num outro sonho que me conduza
Por entre rios e cascatas
Por entre florestas e praias...

Caminho sozinha com o pensamento abarrotado de companhias
Vozes amigas que me aconselham e relembram fatos do passado
que não quero esquecer
que guardo no coração
e que me mantém de pé,
com o braço forte e a fronte elevada.
Colho flores singelas no caminho:
são meus amigos...
Os pássaros cantam a Canção da América
E o Uirapuru tímido canta pros ouvidos atentos de uma índia tupi.

Vou agora correndo por entre as árvores
Com penas brancas nos cabelos
E agora tenho a pele vermelha
e um arco e flecha:
também sou índia...meu sangue é tupi.
O vento me reconhece,
as águas me conceberam,
o céu é o meu teto,
e cada pedaço de mim
perde-se dentro das almas das árvores: sou tupi.

Pintei no rosto a marca da caçadora,
na cabeça o diadema,
a flecha engatada, retesada no arco, avança para a caça:
Sou tupi.

Brasil, meu pau-brasil
Árvore sagrada, me levaram de ti...
Agora estou aqui, pisando no asfalto, sofrendo com a poluição.
Manchando o céu de cinza-escuro, as águas amargando toxicamente modificadas...
Matam o índio, jorram meu sangue, meu sangue tupi, meu irmão!
E destroem a natureza, meu lar, minha terra, minha última liberdade sacrificada!

Nenhum comentário: