quinta-feira, 31 de março de 2011

Ainda há tempo?

Caminho pelas ruas escuras da minha mente
Sem ver um palmo adiante de mim.
Caminho, tentando seguir em linha reta
o que em linha reta deveria estar.
Tateio enquanto caminho, mas não sinto nada
Procuro ouvir algum som, mas nada escuto
senão meus passos num chão que parece madeira oca.
Caminho, perdida, na escuridão de minha própria mente...
caminho sozinha.

Penso e não canso de pensar no que não existe:
o amor eterno, a dor fugidia
a mente perfeita, minha felicidade
entre outras coisas imperfeitamente indefectíveis.

Pago a passagem e entro no ônibus
que há de levar-me até meu destino
mas olhei e a placa estava errada
olhei e o caminho era obscuro
mas paguei e agora fico.
Olho o caminho a frente e lembro
do passado infeliz que não me apavora mais
de tudo que quero esquecer, existem nomes, traços
fotos, músicas e tudo mais.
Sinto alguma dor, mas as lembranças não se vão
e perturbam, perturbam.
Assovio e o caminho ainda está escuro
Canto e só ouço minha voz pequena
na grande escuridão em cena.
Caminho, canto, mas nada ouço.
Grito e só há eco.

Na minha vida, todos os meus sonhos de amor são impossíveis.

Nunca vou encontrar alguém...e, quem me dera, isso
fosse apenas um melodrama...
Não há príncipe algum! Não há amor algum!
Não há companhia! Só há solidão!
Só há dor! E a morte é o fim da estrada, é o abismo
em que nos precipitamos, é a solidão eterna
e a escuridão gelada.
Sonho, pois só nele encontro consolação
E nos meus sonhos tudo é possível:
a paz, o amor, a luz eterna
a bondade, a ternura, a singeleza.
Enquanto, fora dos sonhos
é só guerra, ódio
terreno minado...bombas...
mulheres empaladas, homens enforcados
por suas próprias ideias deturpadas.
E não há justiça. Nunca haverá justiça senão nos meus sonhos.
Aqui não há nada de bom, de belo, de nada.
Aqui são só pessoas atacando pessoas,
pessoas usando seus diplomas como espadas,
como gladiadores todo o tempo, lutando numa arena
enquanto alguns riem
outros abaixam a cabeça
e são pisados, pisados, pisados
sempre sorrindo, sorrindo, sorrindo
e acatando, acatando, acatando.
E não há justiça se não a fizermos!!
Não há justiça se não rolarem cabeças.
Não há justiça sem sacrifícios.
Mas quem quer?
Quem quer sacrificar seu conforto?
Sua vidinha fácil?
Por que os homens esperam um herói?
Por medo? Por ignorância?
Por covardia.
Porque acham que não tem forças.
Porque somos todos covardes.
E sempre nos abaixamos pra fora da possibilidade do soco.
Até quando?
Até quando vamos rir quando queremos chorar?
Até quando vamos sorrir quando queremos gritar?
Até quando vamos ler sem querer ler?
Até quando vamos ficar sem amar?
Até quando vamos fazer coisas que odiamos?
Até quando vamos nos esconder atrás de sorrisinhos?
Até quando vamos ficar com medo de tudo?
Até quando vamos ter medo de Deus?
Ou você realmente acha que deus, diante de tantas formas de governo, escolheria a monarquia?
Você acha que deus ainda está vivo? Você acha que ele existe? Há algum deus?
Até quando suportaremos as dores no silêncio?
Até quando vamos nos conformar com qualquer coisa?
Até quando vamos ficar parados olhando a corrente nos enrolando?
Até quando suportaremos?
Até quando nos calaremos?
Até quando nos deixaremos ser oprimidos?
Até quando fingiremos que nada está acontecendo?
Até quando seremos indiferentes?

Até quando?

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