terça-feira, 15 de março de 2011

Egoísta

Sou como a montanha que espera alguém com fé suficiente
Para mover-me, inconsciente.
E que me dê alguma vida, alguma árvore, alguma flor.
Sou como a neve daquelas montanhas esquecidas
Que matam quem tenta descobrí-las.
E que, por mais que o sol aqueça com seu toque macio
A neve vai e sempre volta, eterna.

Minha vida é como aquelas montanhas lá longe, que ninguém se lembra de olhar.

Ao contrário do que pensas, o mundo não me esqueceu
Pois nunca me conheceu.
E você nunca me viu. Eu não existo.
Passei despercebida sempre, por tudo e todos.
Anônima cigana na estrada caminhando sozinha.

E, nem adianta,
Sou apenas uma gotícula de chuva no meio do oceano
E aquele sol forte da manhã, que entra em todas as frestas
Não me ilumina porque não deixo, porque não quero.

O ódio escurece tudo, congela e mata
Minhas letras são folhas caídas
Se transformando, disformes, em morte.
Minhas letras somem em meio à névoa.

Essa pulsação que aqui dentro de mim perturba
E urge ser combatida, calada
Essa pulsação vem das palavras, palavras, palavras cansativas
Repetitivas
Todas só para tentar ditar os malditos sentimentos
Do meu coração egoísta.

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