sexta-feira, 25 de março de 2011

Filme

E mesmo nessa noite perdida entre tantas do calendário, ele achou que ela pudesse ligar. Não ia dormir, ia esperar por ela.
"Quem sabe..."
Desligou a tv, deitou com o celular ao lado e olhou pro cachorro já deitado ao lado da cama, no último sono.
Ficou pensando no que diria se ela ligasse. Não ia adiantar. Ele ia se enrolar quando a ouvisse.
Dormiu.
E não sonhou. Negara-se a sonhar com ela e seu inconsciente o respeitou, não trazendo imagens de dias felizes. Nem de dia nenhum.
Os músculos finalmente relaxaram...o sono estava tranquilo, sereno.






Ela, por outro lado, não dormiu. A televisão estava ligada num canal mal sintonizado, fazendo um chiado característico. Ela não ouvia. Ela pensava.
A insônia de sempre...os pensamentos de sempre...tudo, de sempre.
E ela esperava que ele ligasse.
"Ele dorme...eu esqueço disso. Eu não durmo. Nunca mais. Desisti de ter pesadelos...só escrevo, só escrevo, só escrevo."



A noite dorme, os sonhos se escondem, os gatos caminham...enquanto a Senhora do envelope violeta entrega suas cartas sagradas. E ela ama. Ama sempre de todo coração.


Enquanto isso, passa um filme na tv, eu tento me concentrar na história, mas não consigo ver filme dublado.
E tudo se torna uma história de mim além dos pensamentos voarem pela janela afora. E a lua minguou.

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