domingo, 27 de março de 2011

Helfgott

Ninguém tem minhas tremedeiras psicóticas
de desistir e tornar a fazer
Nâo! Minha cabeça não tem tempo de ouvir, de pirar
Não tenho luxo
Não tenho que me dar ao luxo de dormir, e talvez sonhar
E ainda que eu quisesse voltar no tempo não poderia
O tempo é um gato
que mia, mia mia mia mia mia mia mia
na minha cabeça
o tempo inteiro que deus me deu de vida...e temo, temo porque ele o fez.
Não me vale
não me valeu tudo que recebi?
será?
tudo vem no vento, tudo vem nas horas
tudo vem das estrelas
você me ama?:
mesmo sabendo de tudo
ouvindo tudo
deixando tudo pra trás
imergindo na minha cabeça
na minha loucura
nos seus sonhos você pode imergir sem respirar
 e no seu carro, você me deixa abrir as janelas?
sentir o vento no seu rosto?
sem ser aquela coisa fria, sem vida
do ar que não seja o da noite em que estivemos juntos?
eu vou poder entrar em você outra vez?

na noite
na noite os sonhos padecem de dores eternas
ternas e suaves
sutis e acalantos
serpentes venenosas que correm suaves
suaves como sangue
como a morte num último momento
você já despediu de casa alguma vez?
já tentou pensar em como é a vida lá fora?
caótica, caótica
não, não tem medo
medo não tenha
tô aqui, eu juro
tô aqui o tempo todo
onipresente nas minhas letras
onipresente em você.

serpentes serpenteiam
com as palavras chocalhando
nas cascavéis se enrolando
gritando, gritando, gritando
nas florestas, a chuva molha todas as folhas pelo caminho
a neve enregela meus músculos com seu calor maternal de outubro
frio, gelo, flores no meu cabelo
estou perdida, tentando achar
achar figuras que me comprazem
das flores quero o perfume que imite o perfume de álcool que já esqueci:
via-crúcis é cruz crucificção
fixação num estratagema de saída de um labirinto de árvores mortas
no silêncio, no silêncio
desse lado vive uma rosa
a raposa e o príncipe
a raposa come...
o príncipe nem desconfia.

mil sinfonias disputam meus ouvidos
o barulho da rua, as vozes pretendem me enlouquecer
está quente, quase na porta
hieroglifos me mostram a resposta
em forma de Roseta
Uma rosa brilhou, nasceu, secou no sol da tarde
agora é noite e o vento está calado
Não sei onde você está
nem quero que saibas onde estou
tudo isso mesmo aqui é um bando de versos malucos
rachmaninoffianos
helfgott
helfgott, salve-me com sua música
não esqueça de mim, aqui perdida...
nas estrelas, no vácuo, no silêncio, na dor
no sonho
nos sonhos que sonho que persigo inutilmente
infindavelmente hieroglifos hierosgamos
fixação proibitiva da vida
símbolos perdidos em rosslyn
cruze a linha rosa
Rósea púrpura
girando, girando em torno da catedral
Teu nome no incenso
eu, perfume no ar
que me persegue
tudo me persegue
eu corro
do meu próprio coração desvalido
desvairado
sem fim.
sem fim.
zen fim. enfim.
en+o fim
no fim, nada acontece. tudo continua
=

2 comentários:

Naaman disse...

Malucão Belezão. Do time que eu gosto...

Mariana Belize disse...

rsrsrsrsrsrs
Bem do time que a gente faz parte, né, pai?
rsrsrsrsrsrs