sábado, 12 de março de 2011

Onde não bata luz...


Sou uma mulher triste,
falo baixo e nunca sorrio.
Minha alma é escura e densa
como uma eterna tempestade.

Minha insanidade já me faz desvairar:
ouço crianças brincando, quando, na verdade,
não há ninguém lá fora, eu sei...
Mas quase os sinto exalar a alegria infantil.

Minha história não é bonita como os contos de fadas
que eu ouvia na minha infância já tão distante,
tão longínqua.
Tudo é abandono e morte.

Durmo quieta como uma rua escura
Com casas vazias.
Todos se foram, eu sei, eu posso sentir...
Sim, a solidão corrói tudo.

Agora vejo que o céu já está escuro
o Sol já se foi há tempos,
Só a Lua Cheia, Branca, Pura
Ilumina-me, friamente.

Hoje, sou uma mera sombra do que já fui...
Em tempos antigos, era bela
Princesa dos corações dos cavalheiros....
Hoje, sou nada.

E quando o Sol, quente e forte
De manhã desponta no horizonte alaranjado
Eu fecho as cortinas, rapidamente
De dentro e de fora de mim, e me tranco, desesperada.

Cubro-me com o manto de dor
Nenhuma luz eu vejo em minha soturna existência
E, nesta escuridão tão sólida,
Durmo como que morta, indigente, inexistente.

Num acesso de loucura,
rasgo o manto da dor que me cobre a tantos anos perdidos
Enquanto olho, em um último ensejo, para seu semblante, meu cruel amor
Que aqui na minha memória, paira reaparecendo no último instante...

Seu fantasma veio visitar-me,
Uma lágrima amarga cai,
Meu último grito,
E eu morro.

4 comentários:

Daiane Borduam disse...

Simplesmente adoro tudo o que você escreve. ;)
Bju

Alexandra Moraes disse...

essa sou eu!

Mariana Belize disse...

Xanda, você é luz!
Pelo menos, na minha vida, você é uma luz!
Te adoro.
Mari

Mariana Belize disse...

Daiane, muito obrigada!
Que bom que você gosta...caramba, que legal!

Te adoro mesmo!
Mari

Ah! Um grande beijo!