sábado, 12 de março de 2011

Perdida?

Antes que minhas palavras se percam
Amarrarei todas elas numa frase maldita
E arrancarei suas liberdades.
Antes que minhas frases se diluam
Em meio às dores e ao sangue, que escorre
Acorrentarei todas elas numa poesia que ficará escondida, na surdina
Pois não quero que me ames pelas letras amarradas ou por uma mera poesia acorrentada
Nem pelos versos brancos, malditos por não terem rima nem métrica
Mas, que se sentem vivos somente pela quebra de expectativa que causam em você.

Pois não tenho mais tema.
Nem nada que eu tema.
Cansei do amor.
Da morte. Do trágico.
Do cômico. Do irônico.
O sádico ou o ácido?
Não, não, só tédio e cansaço me bastam.
E por mais que não pareça...está tudo bem.
Mesmo que você se importe com alguma coisa ainda...
Pode acreditar, está tudo bem. Pra mim.

Veja que já me perdi
E nem sei do que falava no começo de tudo
Concluo contigo ao fim, enfim
Que não se amarram palavras
Nem se limitam idéias
Nem se acorrentam frases
Em meros blocos dissertativos, dizendo tudo.
Pois a poesia é livre e vive sozinha
Sem autores, nem leitores, nem editores...nem correções.

Poesia é fruta que o poeta colhe
Da árvore de seu coração
Ela já vem pronta e não necessita in-ter-pre-ta-ção
Ou me-ca-ni-za-ção
Ela vive. Simples e direta.
Vive na flor que desabrocha
Na borboleta amarela que voa no outono
No amor que vive e morre, mas é eterno na memória
Vive na vida, viva na morte
Sempre flor, sempre morango, sempre-viva.
A poesia é a Esperança.

Nenhum comentário: