segunda-feira, 28 de março de 2011

Procuro e espero

Se me queixo, não é por mal
É sim, por querer ser igual.
Sou bela. Até que abro a boca
E acaba tudo.
Sou bela enquanto não partilho ideias.
Ou, nem se ficasse calada.
Não sou bela. Ponto. Nem calada. Outro ponto.
Penso. E quanto mais penso, mais me perco.
E quanto mais perdida, quanto mais pensativa, mais sonhadora, mais falante.
Não há quem não queira ser eu?
Não há quem eu não queira ser.
Amanhã. Ah! O amanhã, quem sabe?
Deus? Quem sabe o futuro, quem conhece o passado?
Penso nisso no meio de um engarrafamento.
Penso e estou cansada.
Minhas costas doem e tenho mais uma leitura pra amanhã.
Tenho anotações pra fazer, e nada que me faça esquecer.
Tudo a lembrar, sempre.
Sinal vermelho, o ônibus dá um tranco e freia.
Olho alguém do ônibus ao lado.
Ninguém me vê.
Há sol de um lado. Um vento fraco. Abafado.
Mas, vai chover...amanhã, quem sabe?
À noite, não vou dormir. E amanhã não vou acordar.
Um homem olha na minha direção. Estou invisível.
Nada de extraordinária, nenhuma beleza estonteante
nada de exótica, nem tão horrorosa.
Normal. Morna. Mediana.
Mas todos querem as extraordinárias?
E o que eu faço com a minha poesia?
Uma senhora passa roupas. Também não me vê.
No que ela talvez pense?
Invisível, poesia invisível.
Sou tão bela quanto um monte de folhas secas
que o vento espalha
e a gente reclama de ter que juntar tudo de novo.
E meus olhos refletem um lago escuro
com peixinhos dourados protegidos pela falta de luz.
E minha alma mora, escondida, numa floresta de carvalhos,
sabugueiros, aveleiras...cheias de vida.
Não sou uma tigresa, nem uma pantera.
Sou uma flor pequenina monocromática
Igual a tantas outras...iguais, monocromáticas.
Mas, eu canto.
E meu canto é minha força pra lutar.
E procuro...
e espero que não seja eterna minha procura,
procuro olhos que entrem nos meus.
Assim como minhas palavras nascem naturalmente
que o amor nasça fresco como uma flor do campo.
Que é o amor senão água pura
que nos tira a sede da solidão?
já estou de lábios secos, garganta queimando
ser fremente, procurando...
Mas tenho paciência
E confio.
Que é o amor senão espera?
A espera anterior ao primeiro olhar.
A preparação de todo o caminho até o encontro.
Porém, que é o amor senão dor?
E já não me dói tudo?
Já não me dói?
Que é o amor?
Uma mãe aconchega a filha sonolenta nos braços
E nem as palavras mais doces do mundo
Descreveriam essa cena tão sublime.
Escrevo. E estou invisível outra vez.
Serei bela? Não.
Serei forte?
Serei Eu?

5 comentários:

Alexandra Moraes disse...

és bela
és forte
és tu
belize
beleza
mari ama

Mariana Belize disse...

que lindo, minha queridona!!!
brigada!

vc é linda!Xandoca!

Alexandra Moraes disse...

(sorriso+suspiro)

Naaman disse...

Você é o meu amor!

Mariana Belize disse...

Você também é meu amor, dad!