quinta-feira, 3 de março de 2011

São só coisas perdidas, sem importância...

Eu podia simplesmente andar por um caminho reto
Bancando a esperta e posar com um ar de intelectual meiguinha.
Eu podia escrever qualquer coisa rimadinha
qualquer coisa bonitinha
qualquer coisa cheia de florzinhas açucaradas
e posar de poetisa.
Eu podia pintar a cara
entrar pra um partido
começar a escrever sobre política
e posar de ativista ou sei lá o quê.
Eu podia botar uma roupa colorida
pintar o cabelo de azul
encher os olhos de purpurina
começar a sambar
e fingir que esqueci todos os problemas do mundo por uma semana.
Eu podia largar meus sonhos
sair da faculdade, sentar num meio-fio
e ficar só vendo a vida passar.
Eu podia botar uma mochila nas costas
ir pro mundo, fazer meu destino
e tentar, nesse meio tempo,
esquecer que meu fim é o túmulo.

Quem quer ler Sartre? Quem quer se arriscar nas linhas de Schopenhauer?
Quem quer aprender com Sócrates? Quem quer pensar debruçado sobre as linhas de Aristóteles?
Quem quer ouvir aqueles que pensaram antes de nós?
Quem quer se debruçar sobre si mesmo
Ler as próprias linhas da mente, da alma, do consciente
E ler os próprios sonhos - as chaves perdidas do inconsciente...
Quem quer se perder nos caminhos da verdade
nos labirintos das personalidades
nos furacões das emoções desenfreadas?
Quem quer pensar em algo novo
Encontrar caminhos novos
Pistas que ninguém viu?
Quem quer fazer perguntas?
Quem está preparado para as respostas?
Quem sabe fazer as perguntas corretas?
Quem quer se esforçar pra ouvir cada palavra?
Quem quer prestar atenção desde o primeiro minuto da primeira hora?
Quem quer ouvir cada palavra tua?
Quem quer sentir as dores que as dúvidas causam?
Quem quer se sentir sem caminhos? Sem forças?
Quem quer se encher de insônias?
Quem quer se arriscar a duvidar dos próprios pensamentos?
Da origem de cada atitude? Da origem de cada posicionamento?
Tudo é fabricado? Tudo é planejado?
Tudo é concretado em nossas mentes desde quando?
Tudo é planejado?

Mas...
Eu ainda podia fingir que não sei de nada.
Eu ainda podia fingir que não tô vendo nada?
Eu ainda posso viver como se nada estivesse acontecendo?
Eu ainda posso esquecer de que não sei de nada?
De que não tenho controle sobre absolutamente nada
E de que tenho, simplesmente, que procurar notícias que estejam mais perto dos fatos?
Eu sei de alguma coisa?
O que eu não sei faz mais diferença do que eu sei,
na minha mente, nada mais funciona de forma que eu sobreviva ante qualquer coisa.

Mas, quem ainda quer se arriscar a saber de alguma coisa que seja verdade?
Quem quer saber de algo?
Quem quer se arriscar a entender, aprender, se esforçar por algo?
Isso também é viver. Quem quer sair da inércia?
Quem quer esquecer das baladas, das noitadas, das bebidinhas aloprantes?
Quem quer a vida de verdade?
Quem que o quê?
Quem busca um sonho?
Quem sonha?


Uma conversa
Um sorriso dele, ela sorri também
A música começa.
Pronto. Temos um romance em Hollywood.

7 comentários:

Valéria Lourenço disse...

Mari, tenho passado sempre por aqui só não conseguia comentar, pois minha net estava ruim. Bem, também estoava à procura da inspiração assim como você nesses dias.
Parece que a sua retornou.

Bjs. Saudade.

Mariana Belize disse...

Retornou, nada, minha querida...isso é só indignação pura mesmo. Só isso.
Beijos pra vc!
Saudades!

Naaman disse...

Eu...

Mariana Belize disse...

Você? Não entendi...rs

Naaman disse...

Quem quer...?
Quem quer...?....
Eu quero.

Mariana Belize disse...

Você é corajoso!

Alexandra Moraes disse...

Li e lembrei do maravilhoso e brejeiro Manoel de Barros: " as coisas desimportantes dão para a poesia".
E eu também quero!