quarta-feira, 23 de março de 2011

Segredos do coração

No sorriso do Dono da Tabacaria
teu mistério se une ao do sorriso de Monalisa.
Meu coração volúvel se enche de cálidas florezinhas
quando penso em você.
E meu sorriso de Monalisa com teu sorriso enigmático
formam o segredo sagrado
que se esconde no mistério das estrelas
e dos pássaros da noite.
Não durmo. E a noite é eterna. Una.
Há letras por todo canto aqui,
e tudo, no final, estará dedicado
escrito enfim, a ti.
Volúvel, melancólico, perdido
nos teus labirintos dentro do poema
e ainda me duvidas que de oiço estrelas?
Duvide, mas é com elas que está
meu novelo de Ariadne, as linhas de ouro
que me mostram a saída
do teu coração...
procure-me, tente...mas, não me acharás.
Escondo-me, solitária, nos enigmas esfíngeos do teu sorriso,
nos perfumes da tua Tabacaria do outro lado da rua.
Procura-me no teu último comprimido de dormir,
sei que o usas para sonhar e, que desconfias que a realidade é o sonho:
que podemos voar com nossas próprias asas,
e, que se quiseres entender-me
terás que sorrir para a Monalisa que sou.
No sorriso do gato de Alice tem também um mistério:
como aquele bendito gato some, mas o sorriso continua tão forte em minha memória?
Adeus, ó Pessoa! Sinto tua falta.
E a cruz na porta da tabacaria? E a cruz agora?
E o Esteves sem metafísica?
Será que ele desdenha, será que canta, será que geme ou
só fuma e espera, espera, espera
o câncer, a dor, a morfina, a morte?
E teu enigma, Dono da Tabacaria? Onde começa? Onde termina?
A filha da lavadeira sabe teus mistérios?
Ela lê os bilhetes que esqueces nos bolsos?
Ela lê e decora e rememora tuas poesias perdidas em meio às contas,
aos pedidos, à tua contabilidade nicotínica, charutínica.
Olho pela janela e estais à porta
Lendo um jornal do dia, a parte de economia
Fazes contas mentais, todas possíveis
E onde está teu sorriso agora?
Não me vês, quase sempre...mas, eu vejo você:
nos meus sonhos quando durmo,(sonho acordada todo o tempo)
nas minhas letras quando a madrugada fria passa por mim
e eu não durmo. A noite é eterna. Una.
Vê! Estou aí, batendo à porta do teu coração.
Ouve! Não ria da minha falta de metafísica de Esteves!
Mas, como posso estar fora, batendo...e dentro do teu coração ao mesmo tempo?
Tempo? Mera noção do inalcançável!
Estou dentro de ti, moro nas palavras que guardas de mim
Num canto, dentro de uma caixa de papelão
Estou meio empoeirada, confesso
Mas não ligo, basta-me teu olhar umas duas vezes por dia,
um suspiro por mês,
uma palavra por ano,
um beijo por nunca.
Coloco flores nos cabelos, me olhas de forma meio estranha
e perco a noção da tua contabilidade mental:
tens segredos, eu sei que tens. Também tenho.
E onde será que guardei minha lógica-matemática-racional-quadrada?
Passeio e passeio pelas tuas ruas milimetricamente asfaltadas
Por teus prédios limpos, por tuas casas belas.E cheias de estantes.
No fim há uma porta. No fim da tua cidade interior.
Já viste esta porta? Já tentaste abrir?
Olho eu pela fechadura.
Ali está o segredo do teu sorriso,
o segredo do teu infinito,
a noite e os animais da noite,
ali está teu sono,
ali está teu caos.
E, no fundo, no fundo,
embora negues...
ali estou eu.

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