quarta-feira, 27 de abril de 2011

aeternum

Caí numa armadilha, numa rede, numa teia, num arrastão:
me apaixonei.
tudo meio sem querer, querendo tudo mais que tudo
tudo meio sem perceber, vendo além de tudo
tudo meio sem esperar, sabendo que a espera é inútil
tudo sem medo de entregar-me ao mais louco devaneio impossível.
Estou errada, mea culpa, mea maxima culpa, perdão.
Chove. E, mesmo a chuva, não me diz nada.
Não ouço mais ruído de natureza alguma, nem de pessoa, de coisa ou da televisão.
Ouço agora, aqui, tua alma. Tua linguagem mais pura e sensível, tua língua interior.
Linguagem cardíaca...
Ouço teu canto oculto nas florestas da Alma, da Mente...a Psiquê canta, amor...
e eu escuto, atenta, aos símbolos, aos teus sinais mais sutis, aos teu som primário
mais leve, mais agudo ou grave.
mas, sem análise. E tu cantas!
Ouço, com meu coração, teu canto no vento...o som me alucina:
uirapuru, uirapuru
onde você canta? onde está você?
Meu mistério, meu enigma,
minha esfinge, meu destino.
Ó Nome Impronunciável!
Nome de deus Sagrado- Segredo.
Revelá-lo é entregar-se ao degredo, ao desterro máximo: a morte!

Penso, agora, nessas linhas inúteis
            nessa vida inútil, nessas letras inúteis
e repetidas ad aeternum.

4 comentários:

Fernando Vieira disse...

Ad infinitum... nossos espíritos...

Mariana Belize disse...

Somos espíritos eternos...nossas vidas são eternas.

Alexandra Moraes disse...

amar...
amor...

é.

Mariana Belize disse...

é eterno.