domingo, 10 de abril de 2011

Mamãe Noite

 A lua tem hoje um brilho estranhamente amarelado
as nuvens, à sua volta, dão-lhe um ar melancólico...
Piaf canta... O vento suspira... A madrugada se aninha em seu misterioso silenciar...
As flores dormem, como princesas em vestidos de baile...
O mar, longe daqui, ressoa infinitamente em suas ondas que vêm e que vão,
que vêm e que vão...vêm e vão...
A lua, agora, já se foi... e as estrelas brilham timidamente...
Bethânia canta...e que dor...ah! que dor há em seu canto...
quanta amargura...quantas saudades...quantos amores perdidos...
As mulheres nas pinturas dormem, veladas por meus olhos
na escuridão, acesos.
O pensamento vaga, morno, embalado a Caetano
"Alguma coisa acontece no meu coração..."

Levanto-me e debruço na janela
vejo as luzes da rua, ouço carros passarem, esparsos...
não há vozes nas outras casas.
Olho o céu...tudo é silêncio...e nem minha própria respiração ousa quebrá-lo.
E agora há o silêncio entre uma música e outra.
Começam os acordes, o silêncio é quem silencia agora.
"Não fala nada...Deixa tudo assim...(...) É tudo real...Nas minhas mentiras..."

Estou só. Tudo que há em volta é sem vida.
O guarda-roupa vazio, as paredes surdas, a porta trancada, o calendário na data errada...
O relógio? Que relógio?
Vivo sem v(iv)er as horas, sem v(iv)er o tempo, sem v(iv)er o atraso, a espera, a decepção...
Vivo num passado primordial
Mesmo assim, a lua hoje tem um hipnótico brilho alaranjado
E as estrelas estão pálidas, sem forças para um brilho mais intenso.
Agora, esta Lua-laranja se aproxima dos lábios do Horizonte
e eu posso ver que há Amor, há Saudade, há Dor...
As nuvens se afastam, respeitosas, invejosas...as estrelas já desistiram de brilhar e se limitam a assistir...
A Lua, em seu vestido alaranjado, dança o Infinito, canta o Universo, e sorri...
O Horizonte já está de braços abertos, o coração das montanhas pulsa, o vento suspira cheio de amores...

Este é o segredo que a madrugada silencia
Este é o sonho que a Lua esconde dos incautos
Este é o amor puro do Horizonte eterno
Esta é a história da Mamãe Noite, que ela conta me embalando, me embalando...
e eu durmo.

2 comentários:

Naaman disse...

Ôôôiiiêêêhhh!!!!!! Muito legal!!!!

Valéria Lourenço disse...

Lindo e doce Mari.
Bjs.
Valéria