domingo, 17 de abril de 2011

Muralha

Sinto-me limitada. Por tudo. Por todos. E nem pela linguagem consigo me libertar. De quê? Não sei. Mas sei, sinto que me sinto presa. Mesmo se não repetisse tantas palavras, mesmo que estivesse com alguém agora, mesmo secando lágrimas à toa, mesmo com saudades, mesmo com tudo. Sinto a limitação mental, a inutilidade de escrever, o tédio da vida, a vontade de fazer o que não devia, a loucura de falar o que se pensa e não se pode. Sei que sou limitada, o que é pior...Não sei o que é pior e talvez a ignorância seja uma benção. Não sei de nada. Não posso largar esse corpo aqui agonizando e me refugiar em outro, meu querido. Você pode? Não, também não pode. Nem quer. Eu quero. Como seria perder a memória? Um brilho eterno de uma mente sem lembranças! Sem lembranças do teu sorriso, da tua voz, da tua presença, da minha timidez, do meu tudo-que-odeio, até mesmo deste blog e do meu nome, da minha identidade, da minha consciência, da minha loucura, do meu idioma, do meu país, do planeta., do tempo. Estar em coma, um coma profundo e sem signifcados, sem cores, sem espíritos discutindo minha volta, sem Deus nem Jesus, nem ovos de Páscoa, sem ressurreição, sem nada. Deixar de existir é tão desesperador assim? Não. Sem ter que acordar amanhã tendo que fazer coisas por obrigação. A faculdade é uma faca de dois gumes: agora vejo. Estudo o que amo, mas preciso sentir saudades, às vezes, das letras...
E ainda tem você, nisso tudo. Você nem sabe...tem tanta coisa...Boba, sem nenhum significado mais profundo...está tudo assim tão claro agora que é estranho. E esse "você" são tantas pessoas...esse "você" é tão impessoal...tão impessoal quanto eu. Mas, amanhã, eu tenho que estar bonita e arrumada às sete...e bem acordada. Na terça, eu tenho a prova que não sai da minha cabeça enquanto eu não fizer. Ainda assim, são problemas menores. E os que estão dentro? E os que ninguém vê? E os que ninguém quer ver? E os que não interessam a ninguém? E...e nada.
São tantas coisas, sempre tantas coisas. E eu não tenho nenhuma explicação garantida de nada.
Qual é mesmo a palavra que espera tradução? É pra dizer a verdade. Qual verdade? E eu fico aqui, digitando, contando essas cousas...E eu juro por Deus que queria ser invisível, intangível,inconsciente, ...juro.
Há uma muralha na minha mente. Procuro uma porta há tanto tempo...Acho que vou viver pra sempre com a maldita dúvida: o que há do outro lado?

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