segunda-feira, 4 de abril de 2011

Papo

Aqui, dentro desta sala, penso
E meu pensamento inunda minha mente
já não ouço as vozes, nem as risadas
nem os olhares, nem nada
Será meu pensamento tão profundo assim?
Desejo, por um segundo, o encontro
do teu olhar com o meu
já nem ouviria mais as vozes, nem as risadas
nem os outros, nem nada
Será meu desejo tão profundo assim?
Lembro que não escrevi os versos que imaginei
Lembro que não te entreguei a carta que escrevi
Lembro agora do que ia te dizer
sinceramente, eu quero você pra mim...
Será que meus sonhos são tão profundos assim?

Ainda tenho os meus modos tão infantis. Não importando se é no amor, na dor, na alegria, na melancolia, onde seja. E no meio dos soluços na noite escura, me perco sem saber porquê. Não sei mais porquê estou aqui e para quê penso ou sonho. Olho adiante na escuridão e vejo seus olhos brilhando: é só o que importa em você, teus olhos são a porta da tua alma.

Se tudo é o extremo do desinteressante não se faria falta algo existindo. O ser e a forma ainda valem? Só temos dúvidas, eu sei. Dúvidas são nossas certezas. Mais precisamente o total dos pensamentos é o paradoxo, é a dialética. Porém continuamos imersos nas dúvidas e naquela sensação de andar em círculos numa floresta escura.E mesmo a dialética é uma dúvida infinda; é um algo sem explicação concreta: sem ser, sem forma. Todo uso das palavras é inconcreto porque as definições são imprecisas. Tudo é impreciso. Que é o tudo? E que tempo é o hoje? Que tempo marca o agora?E se há uma tentativa de explicação categórica, acadêmica, tudo que temos é um bando de galinhas hipnotizadas e o Tempo rindo delas. O Tempo, o Tudo, o Agora, o Inexplicável. É impossível definição completa. E para que um texto que tenta explicar o inatingível? Nada.

Se eu tivesse uma voz enjoada, nunca falaria.
Se eu tivesse uma cara enjoada,  nunca me mostraria.
É por isso que falo baixo. que mentira!
É por isso que uso maquiagem. que mentira!
Falo alto. E só uso maquiagem por causa das olheiras, da insônia.
Preciso falar. Preciso dar cara a tapa.
Você não?

De tanto correr em círculos me senti tonto,
Desisti do caminho, desisti de correr
de andar...até de caminhar lentamente:
quero a inércia agora e pra sempre.
De tanto esforço inútil e sem apoio, fiquei cabisbaixo
com vergonha de ter lutado, achando que mais nada vale a pena
desisti das ideias, dos ideais, da vida, de mim.
Escrevo, e isso não vale nada. O que vale é o grito. Papel e letras não fazem nada.
O que pode fazer algo são as pessoas. Unidas.
E, por isso, escrever não vale de nada se não houver quem leia.
Inútil caligrafia que está vazia de atitudes.
Inútil se não há...
Minha ascese é ficar calado.

5 comentários:

Fernando Vieira disse...

Vc está melhor que eu, pois, no meu caso, não há maquiagem que me esconda as olheiras.

Mariana Belize disse...

É, a maquiagem até resolve por fora...Mas existe algo que mascare por dentro??
Disso, eu não tenho como "fugir". rs
E, de certa forma, nem quero. Se não, eu não teria motivo pra escrever. Sei lá...acho que é isso.
Obrigada por comentar.
Um abraço.

Naaman disse...

Socrática... "Só sei que nada sei..."

Mariana Belize disse...

Sócrates é um grande cara...não tem como fazer algo original depois desse "só sei que nada sei". No fim, é só isso mesmo: as dúvidas.

Naaman disse...

É, a única coisa certa na vida, é a morte. O resto, tudo duvidoso, tudo tem dois lados, certo e errado, questão de gosto, etc.
Eu achava que, com a idade iria encontrar respostas e acaba que cada dia me aparecem mais perguntas sem respostas.
Bem mais, por exemplo, do que quando eu estava nos quarenta.
Como invejo essa turma que tem certeza das coisas!!!
Devem ser muito felizes...