segunda-feira, 18 de abril de 2011

Silêncio e boa sorte!

Agora que todos foram dormir, eu posso conversar contigo em paz. Em pensamento.
Agora que tudo é silêncio, posso te ouvir também. Em sonho...
Agora, posso falar teu nome, baixinho, para que a Lua me conte, sussurrando, como estás.
A noite me faz companhia e guarda meu segredo...
Diminuo sensivelmente o volume da música para escutar meus pensamentos:
desalinhados, desesperados, apaixonados.
E tudo, tudo faz com a dor seja lembrada novamente: a madrugada, a brisa, a luz da Lua.
Tudo me faz chorar.
Ultimamente, não tem sido fácil viver, sorrir, amar...todos os dias, algo acontece...
Ultimamente, nada está fácil.
Você é tudo. Você está em tudo, meu Mistério.
Ultimamente, está mais e mais difícil dormir...cada vez mais complicado me desligar do mundo.
Ando carregando o coração como uma mochila de chumbo! E estou cansada.
Tudo me pesa, tudo me corrói, tudo me dói.
Lembre-se: tudo é você.
Olho a rua, como todas as noites, e não vejo a rua...não vejo nada. Minha Lua é imaginada.
Minha vida é imaginada.
Você é a realidade distante...você, na realidade, não existe. Na minha vida, é só poeira no vento.
Que me sufoca, me esgana, me deixa cega, sem caminho a seguir. Prende-se aos meus pés, a cada passo que tento dar. E nada.
Não ando.
Olho a rua outra vez. A noite, na realidade. Os sonhos me perseguem, me cercam.
A realidade da rua some. Volto para a sala escura do pensamento.
Você é tudo. Outra vez.
E agora que todos se foram, eu posso tentar entender.
Olho o céu escuro. Não vejo nenhuma estrela sequer. Vejo teus olhos, teu sorriso, vejo teus pensamentos.
E me refugio nos teus labirintos, pra esquecer os meus.
Você não existe?
Procuro o calendário. Qual é a data de hoje?
E eu já nem sei que data escrever aqui...ontem, hoje, amanhã: não faz diferença.
Você não estará aqui. Nunca nessa vida.
E a vida assim não faz diferença também...tudo parece uma grande piada que não tem a mísera graça!
Não se preocupe: não vou me jogar.
Você não existe.
23:27
As letras do teclado se embaralham em milhares de possibilidades de palavras cheias de significados. Estou cega para o que escrever...estou cega.
Olho a rua vazia, imunda, fria, com um silêncio sepulcral...
Escondo-me no silêncio para não me ouvir, aumento a música, tento parar o pensamento.
Vou descendo as escadas pra beber água gelada...no escuro.
Fantasmas me seguem por todos os lados...eu converso. Ninguém responde.
Um carro passou, cantando pneus (desafinados)...
Tua ausência, bem ali, sentada no sofá da sala...sorrindo.
Volto pro quarto abafado...desisti de dormir: não quero sonhar.
Respiro o ar asfixiante de solidão. Inebrio-me toda de sua frieza.
Os olhos abertos, clarões na noite, faróis sem girar.
Esperando.
Ouço teu timbre na música das estrelas, magicamente...cochilo.
Acordo e estou no mesmo lugar.
-Que monotonia!

Deito-me
Posiciono-me
Penso-me
Durmo-me
E fim!

3 comentários:

Alexandra Moraes disse...

Nossa, como eu queria ter escrito isso:
"Ultimamente, está mais e mais difícil dormir...cada vez mais complicado me desligar do mundo.
Ando carregando o coração como uma mochila de chumbo! E estou cansada.
Tudo me pesa, tudo me corrói, tudo me dói."
Lindo!
Lá- gri-ma
sus-pi-ro

Daiane Borduam disse...

Usando as palavras de uma Grande Amiga: "Sublime!"

"...E me refugio nos teus labirintos, pra esquecer os meus..." [!]

bjos

Mariana Belize disse...

Obrigada, minhas queridas!
Adoro vocês!