domingo, 24 de abril de 2011

Simples

Pra esconder a solidão, apago as luzes e faço força pra dormir.
Nada adianta...nem a vela, nem o incenso, nem a oração...
Nem Cristo, nem Krishna, nem Coldplay, nem Renato Russo.
Nada esconde a dor.
Está tudo jogado em cima da cama, tudo fora de lugar
Eu estou deitada no chão frio, usando o braço como travesseiro
Um vento fresco entra pela janela aberta...displicentemente
Começa uma garoa fina...
Nada esconde a angústia.
Penso no amanhã, faço planos pra semana que há de vir,
calculo se o dinheiro vai dar, se tem roupa limpa o suficiente,
se tenho que fazer as unhas e se o cabelo está em ordem.
Nada esconde a insônia.
Ouço música, as letras me invadem falando de dores que não
são minhas...concentro-me nos instrumentos, em seus mil
sons...
no fundo, no fundo, não sei se é melhor ficar em silêncio.
Nada esconde a agonia.
Mudei os móveis de lugar, limpei a poeira dos objetos,
varri o chão...comi chocolates...os papéis estão espalhados
na cama.
Nada esconde a ânsia.
Já não sei onde estou:
se aqui, digitando essas letras juntas;
se ali, deitada, pálida, no chão gelado;
se na sala, sorrindo para a televisão;
se no terraço, esperando a chuva;
se no mundo, esperando a Morte;
se na vida, esperando a sorte;
se no escuro, querendo luz;
se na luz, esperando o amor...
Nada adianta, voltando ao início,
nada esconde a solidão.

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