terça-feira, 5 de abril de 2011

Vogal temática verbal

Se o verbo no subjuntivo indica desejo,
Toda a minha poesia é subjuntiva
subjetivamente...
Todas as minhas letras exprimem desejo,
sensação, vontade, mil-quereres...
E todo esse querer, sentir, desejar
é fruto puro de um coração vermelho-sanguíneo.
Mas, eu assumo:
Todas as minhas frases sempre são mal colocadas,
mal escritas, mal revisadas,
aliás, nem revisitadas.
E eu sempre estou mal encaixada nos lugares,
sempre meio incomodada, sempre mal acomodada...
Sempre meio ofegante, meio sem-ar, sem-nexo, sem...ação.
E sempre derrubando tudo, esbarrando, ficando sem graça
pedindo desculpas por tudo, até pelo que não fiz.
Sou uma sem-lugar.
Cansada, infinitamente esgotada,
exausta.
E escrever é uma tentativa de fuga da voz
que fala estas conjugações verbais infinitas...
E entre essas vogais temáticas, desinências, morfemas, tempos verbais:
Não fico em paz. Nunca estou em paz.
Mas, gostaria de estar sempre alegre mesmo assim.
Não consigo esconder a angústia de estar aqui.
Mas, não quero ir embora. Quero ficar aqui.Quero não, tenho.
Saio da sala um instante. A cabeça pesa. Os olhos doem. Tudo dói.
Lá fora, o sol. Fico lá, de olhos fechados, sob o sol, esquecendo a aula por dez segundos.
E volto.
Mas eu queria, bem que eu queria poder fugir daqui. Agora.
Sei que estou mal. Sinto-me mal. Realmente mal.
As palavras não me ajudam mais. Não sei quem pode. Não sei mais nada.
Não sei o que fazer. Sei que daqui não posso sair. Tenho que ouvir.
Tenho que aprender, escutar, anotar, fazer, passar, estudar, ler.
Mas, ainda assim, professor, por que não sumo?
por que não posso, simplesmente, te dar um bom dia, sair daqui e ir respirar lá fora?
Ir embora?
Para quê estou aqui? Por um pedaço de papel? Pelo ensino? pelo aprendizado?
Para saber? Para ensinar? Pra quê?
Para ser algo? Por quê?

Carrego planetas inteiros em meu pescoço, num colar
que Valéria me deu,
carrego universos inteiros e seus buracos negros em meus pensamentos.
Será que sou tão profunda assim mesmo? Será que já estou louca e nem me dei conta?
Será que é assim mesmo? Tudo é assim mesmo?
Tudo vai sempre ser do mesmo jeito?
E se eu souber um jeito diferente de fazer? Fico quieta?
Falo e dou a cara a tapa?

Perco-me loucamente em sensações diferentes
e não, não quero mais estar aqui assim.
Hoje, só por hoje, queria ser outra. Estar em qualquer outro lugar.
N'outro tempo. Sem essa mente, esses olhos vazios, essas dúvidas...

E minhas certezas são sempre impossíveis!

O amor é sempre impossível!

Queria ser outra pessoa. Ou coisa qualquer.
Nem me importaria ter ou não uma alma. Ser alma.
Nem encher estas folhas com esse bando de letras.
Eu só quero ser normal.
Por que ninguém parece ter dúvidas?
Cadê a humanidade de cada um?
Queria ser eu. Mesmo sendo errada.
Sem pensar em errado ou certo.
Mesmo sendo isso aqui, e só.
Estando só.
E, não, eu não sei metalinguagem
o suficiente
pra entender morfologia verbal, Margarida.
Não sei.


E, desculpe, mas eu nem sei mais se quero.
Não sei de mais nada.
Não é você, Marga, não é...
Nem é o professor, não é...
Não é o mundo, não é...


Sou eu. Sempre sou eu.

6 comentários:

Fernando Vieira disse...

Acho que vc deve fazer o melhor para a sua alma (mas é preciso purificar a alma).

Naaman disse...

Caramba! Botou a Simone de Beauvoir no chinelo... Se o Sartre fosse vivo ainda, iria se apaixonar por você. Haja existencialismo.

Mariana Belize disse...

Pô pai, nem sei o que dizer...rs

Naaman disse...

Você já disse...

Mariana Belize disse...

É...quem sabe um dia eu encontre um Sartre pra mim, né?
rsrsrsrsrss

Naaman disse...

Caraca. Ele era muito feio... vesgão... brincadeirinha... rsrsrsrs