segunda-feira, 9 de maio de 2011

Árvore-vida

Árvore seca que, na madrugada, pareces morta
mesmo que viva em teu seio esteja a seiva.
Teus galhos formam assustadoras sombras,
sob o clarão máximo da lua cheia.
Tuas sombras - terríveis fantasmas
perseguem-me, porém fascinam-me
em pesadelos fugazes
que me parecem eternos, algo que, como delírios velozes,
me sujeitam, me obrigam a calar minha própria natureza
imersa num nada intuitivo e imediato.
De seus ramos rígidos, Árvore seca, escorrem miúdas lágrimas
de Orvalho, pela noite abandonado, em troca de um novo dia assim surgir.
Orvalho amargo em flores negras se prostrando
para dormir seu sono eterno, perdido em sonhos sutis de êxtases sonambúlicos...
Em seu caule ressequido circulará algo que não seja uma lenta imensidão de nutrientes
em procissão,
com funções demarcadas anteriormente à sua existência,
com rotinas monótonas, sem sentido final
que não seja uma manutenção breve e enfadonha
da vida?
Suas raízes, sugadas pela terra, são braços sedentos por Luz!
Vivendo obrigadas a esconder-se, para sempre, apenas pelo bem-estar da árvore inteira.
E mesmo sabendo que trocariam uma gota de Luz por toda sua vida,
submetem-se à deformação, à escuridão, à cegueira eterna
sem saber o que são pássaros, cores...sem nem conhecer suas próprias flores.
Cheiram à húmus, à estrume, à lama...à fundo de poço. Sem poço.
E, às vezes, gritam, sem que a Terra as ouça:
- Quisera eu, Raiz Sustentadora, derrubar a árvore inteira apenas pelo eterno sabor de um floco de luz! E, mesmo morrendo, tudo teria sentido porque eu, raiz fadada à escuridão em vida, seria luz mesmo envolta em morte!
Árvore ressecada, feita toda de partes revoltadas, imersa num tempo comum em que tudo é passageiro, balança, simples, teus galhos o vento do Norte...
Ninfas da floresta me embalam em canções de ninar tão antigas quanto a Mãe Terra
e, se eu estiver atenta, pouco sonolenta,
posso distinguir entre suas melodias o cantar dos Antepassados...
Então, me deitam no chão coberto de folhas, por entre zumbidinhos de abelhas,
e eu durmo, assim simplesmente, sem sonhos.

2 comentários:

Naaman disse...

Lá vem meu pai...
Já viu a versão da "Árvore da Vida da Cabala" feita por Athanasius Kircher?
Foi um jesuita alemão (lá vem os alemães), quase contemporâneo do Da Vinci.
Esse cara chegou a analisar as medidas da arca de Noé e provou que, colocando os bichos que ele conhecia na época, não haveria problema de superpopulação na arca. É mole? E ainda sobrava espaço, segundo ele, pra trazer outros animais vivos para alimentar os carnívoros, de acordo com uma tabela diária que ele criou. Imagina o que ele fez com a Sephiroth.
Quê qui tem isso a ver com a tua poesia, né filha?
Papi não sabe ficar calado. Só quer um motivo pra falar. Comentário da poesia, que é bom...
Tanto trabalho...

Pense de novo disse...

Olá Mariana, muito obrigado pelo comentário e espero que você curta os filmes, mas já aviso que não são para nervos fracos, são punk. Se for do seu gosto é prato cheio.

Abraço!