domingo, 15 de maio de 2011

Baú

Tanto barulho. Quanto, um dia, me custará o silêncio?
Tantas vozes. Quando, um dia, me custará a solidão?
E essas risadas? E os falsos amores? E tudo que não tem lógica aparente?
Quanto me custará parar, definitivamente, de pensar?
Procuro, indefinidamente, minha paz interior. Não encontro em lugar nenhum.
Só me pergunto: será que a natureza humana não é
viver assim, in trouble, por toda sua existência?
E qual, eu me pergunto, é o sentido de estar vivo?
O que eu devo fazer é mesmo a minha vontade? Ou só faço porque devo?
O que eu posso fazer é sempre o que tento? Ou eu já tento pensando no erro?
Eu tento?

Desenho duas borboletas na palma da mão esquerda
com caneta. Pinto de azul.
Olho, displicente, pras letras do teclado. Reflito,
não sei o que escrever. Sei
que tenho mil opções de coisas pra fazer...pra fugir.
Não aguento mais minhas quatro paredes,
ir além de tudo é uma ordem.
Porém, começar por onde?

E, olha, eu já nem sei mais porque escrevo.
E, olha, eu já nem sei mais se tem que ter um porquê.
E mesmo as coisas que crio, penso que não são minhas...
estavam só por aí, voando, e eu pesquei com a rede do pensamento.
Assim...só.

Olho ali, aqueles dois, na cozinha.
Levanto, abro a geladeira, olho,
desisto, sento aqui de novo
e fico olhando pra tela. Olhando sem ver.
Ouço, no fundo de mim, um soluço sem cura.
Pois é aquele soluço de choro grande, incurável
que paira, invisível, na alma.
Mas, é profundo, bem no fundo
de qualquer parte de mim...no fim, tudo é tristeza.

O desenho da palma da mão já começa a se manchar.
As borboletas se transformam em animais disformes.
E eu olho, simplesmente, sem esperar coisa alguma.
Já olho pra dentro de mim sem esperar coisa nenhuma.

Essa aqui não tem ponto final. Essa aqui vai ficar por aí.
Sem fim, nem começo...

3 comentários:

Naaman disse...

Eu lembro que, quando o Naamanzinho estudava Física, ele apareceu em casa com um problema que era, mais ou menos, não lembro direito, pra calcular a quantidade de moléculas de oxigênio que o da Vinci tinha respirado, no século XV, e que ele (Naaman) estaria respirando hoje. Era um negócio de maluco, tinha que saber mais ou menos, a população da Terra na época e a o dia do problema, enfim...
Lembrei disso, quando li o que você escreveu:
"E mesmo as coisas que crio, penso que não são minhas...
estavam só por aí, voando, e eu pesquei com a rede do pensamento.
Assim...só."
Acho que é por aí... Antoine de Lavoisier: " nada se cria, etc...".
Acho que tem a ver com os genes também...
Compliquei, não, né?

Naaman disse...

Ou seja, tudo já foi escrito antes. O Hamlet do Shakespeare já existia antes dele, era uma lenda nórdica. A "Gota dágua" do Chico Buarque sobre a "Medéia" de Eurípedes, etc... O "ó do borogodó" está em saber e ser capaz de escrever personalizado e diferenciado do que já tinha sido escrito antes... Isso é o que você está fazendo... e muito bem.

Anônimo disse...

Senti sua falta...rsrs

Pode parecer estranho, mas este texto me lembrou o filme "V de Vingança". Você já assistiu?

bjs


Dai.