terça-feira, 24 de maio de 2011

Devagar

Estou num momento de discussão interna:
coração e mente se desentendem
sobre qual caminho tomar.
Como, numa só existência, pode haver
tanta indecisão?

Agora, sinto essa chuva que me adormece o corpo
e nenhuma pergunta importa mais
nem tento achar resposta alguma
só abro os braços e não penso em nada. Nua.

No meio dessa música de chuva,
encontro você.
Todo o tempo, te escuto
nesta junção de notas musicais
desconexas
entre gotas pesadas que molham meu corpo
por inteiro.

Não, não encontro você por inteiro
em mais nada.
Só partes tuas, fragmentos de frases
perdidas em algum tempo
já passado
já perdido
já, mesmo, esquecido
já até definitivo.

E perco o desejo de escrever sobre o mundo
se não te ver.
E perco o desejo de ver o mundo
se não for pra olhar você.
Perco o desejo de conquistar o mundo
se não for pra também ter você.
Perco o desejo de tudo, do mundo, das noites, da chuva
se não for para encontrar com você.
E já não quero mais escrever
porque é tudo tão repetitivo,
mas essa música me toca tão profundamente...
hipnotizando-me a voz intuitiva de dentro de mim.
E tudo é uma confusão subliminar e supremo sofrimento.
Tao.

E nessas quatorze horas me perco, aqui, diante de ti e de mim,
desgastada até a última...hora.
E esses teus olhos dizendo-me tudo sem dizer-me nada?
Nesta sofreguidão, escrevo...suspiro...invento...amo.
Mais que tudo, amo!
Por isso, e só por isso me repito mil vezes
e mais mil vezes me repetirei
te escrevendo
descrevendo como só eu vejo tua imagem aqui.

Haja o que houver
Espero por ti

Tua voz é canção bela e tímida
cálida luz que ilumina meus sonhos
cheios de amargura
e trevas
e suplícios...

Conheço a tua voz. Sofro
porque a ouço mesmo quando não estás aqui...
ouço mesmo quando não vem de ti...
É que, às vezes, tua voz canta em mim
fala, daqui, de dentro de mim.
E teu grito, que irrompe na madrugada
do desespero da insônia,
soa em mim como um guizo que treme
e soa, soa, soa...ressoando por todo o meu quarto.
Teu bocejo é sono em mim.
Teu desejo é loucura em mim.
Teu toque é fogo em mim.
Teus olhos são portas sempre trancadas para mim.
Teus sonhos...que são teus sonhos?
Ah! Não estão em mim...
Entretanto, cuido
para que pesadelos não te assombrem
para que preocupações não te despertem
e nada te incomode o descanso.

Sou tua borboleta, tua princesa ou fada
Anjo de olhar sereníssimo
Deusa de flores vestida
para alegrar tua estrada,
para dar vivacidade aos teus passos
e lançar flores por teus caminhos.
E cuidar
sobretudo cuidar com todo meu carinho
infinito
deste teu coração
tão oprimido...
Ah! Coração oprimido, me deixa ser teu mundo?
Deixa-me te livrar do escuro do mundo?
Deixa-me te libertar destes grilhões de obrigações,
quinhentas milhões de responsabilidades,
quarenta mil quilos de preocupações...e ansiolíticos.
Deixa-me ser teu pão, teu ninho, teu carinho suave
teu vinho tinto, branco, seco...vinho.

Estás em minhas letras plantado.
Que nasça um ramo e floresça
e cresça...
Já te disse que serás eterno em minhas palavras?
Já te disse, hoje, que te amo?
Amo-te e nunca hei de esquecer-te.

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