domingo, 1 de maio de 2011

Figura triste

Bebo a água quente da garrafa.
Todos esses dias iguais, sem chances, nem novidades.
Entupo meu cérebro de informações inúteis
até que minha cabeça exploda.
Engulo todas as notícias, músicas, comidas, tudo
até que meu estômago reverbere e regurgite.
Vomite tudo! Até a última gota de ácido gástrico...
Bulimia de informações.
Jogo tudo na parede...um caos aparece
num matiz calmo de luz e sombras
sussurrando perguntas sem respostas.
Pensamentos não são exclusivamente meus,
nem exclusivamente seus, nem de ninguém
(que eu prefiro dizer nadie por causa da sonoridade)
Nenhuma música me faz feliz, ó Iron Maiden
Ó Qualquer artista que me ressuscite,
que me faça sentir algo novamente
no meio de tudo do nada.

Milhares de rostos sorriem para mim,
em seus mil megapixels...
Mil manequins dançam sorrindo.
Serão mais felizes que eu?

Consciência não é promessa de felicidade.
Vida nunca foi promessa de felicidade...Nunca.
A arte é uma porta para dentro de si mesmo.
E, mesmo essa porta, não é fácil de ser aberta...
Encontrar-se com a arte, eis a caminhada humana.
Abrir a porta para si mesmo, encontrar a própria humanidade
e assim, reencontrar-se com seu Outro...sua Sombra...sua Alma.

É o encontro mais difícil. Dolorido. Sangrento.
É uma luta, uma batalha. Uma grande Guerra.
Consciência e inconsciência numa batalha pela verdade, pela supremacia
na mente.

Será que sobreviveremos? Quem será que vai lutar?
Quem será que vai vencer?
O que será que vai acontecer?

Do nada não se obtém resposta. Nada provém dali.

E eu fico por aqui, esperando a noite, esperando a luta, esperando a porta, esperando tudo.
Esperando o sono e, sei lá, se viva.