sexta-feira, 27 de maio de 2011

Friducha, minha querida...

Mulher numa cidade de metal
porém, há um chão de terra e um céu azul...
A cama é maior que o próprio corpo
e a pele só tem cheiro de éter
dos corredores e quartos de hospital.
Nua, ela se deita na cama-mundo
abraça, carinhosamente a barriga aberta
que sangra...
vemos veias abertas, jogadas por toda a tela...
porém, mais profundamente, vemos lágrimas,
lágrimas amargas de uma mulher deformada,
incompleta por não ser mãe
uma mulher que grita em silêncio
grita em suas cores
grita em suas lágrimas
e seu grito sai da tela junto com as veias
grito e sangue correndo pela tela inteira
pela terra inteira, pela cidade, mesmo alheia,
mesmo longínqua...também é manchada de lágrimas, sangue e dor.
É uma mulher deitada numa cama de hospital
porém há mais
muito mais
é uma flor...que não abrir-se-á em frutos...
é um útero ferido...que não aninhará um bebê...
é uma máquina que sangra
uma dor metálica que clama...
É uma mulher numa cama:
e ela chora diante de nossos olhos
exclama em seu sangue
grita no silêncio de seu desespero.
É uma mulher numa cama:
somos nós, mulheres numa cama,
sangrando, doendo, sofrendo.
É uma mulher numa cama.








3 comentários:

Naaman disse...

Caramba!!!!!!!!!! Dizer o quê??????

Mariana Belize disse...

Te deixei sem palavras, né? Friducha me deixa assim o tempo todo quando vejo seus quadros.

Naaman disse...

É, Frida é chocante. Você "pegou" bem o espírito dos quadros. Melhor ainda, você colocou os quadros depois do poema.
Dá uma tristeza, ver os quadros dela, não é? Principalmente, se a gente conhece a biografia de mulher sofrida que ela foi. E conseguiu passar o sofrimento para os quadros. Quem disse que a arte tem que ser a representação (somente) do belo?