terça-feira, 24 de maio de 2011

Hoje e O Processo

O espelho me mostra o que sou?
Sou o que vejo e de onde falo?
Ethos...Topos...Logos...Ego.
Olhos para meus olhos, refletidos porcamente
naquela lente meio aristotélica ali na parede.
Sou o Eu que vos fala?
Faço força, tentando não olhar para mim mesma.
Olho pro fundo de mim mesma
no espelho embaçada
olho no fundo do brilho dos meus olhos
outro espelho outro eu
e procuro você aí no meio desse todo.
Limitada por mim mesma
Alienada do mundo, dos textos, dos filósofos
dos artistas de rua, da música popular
Meus olhos opacos de realidade
que me cerca, me surda, me mente
Memento Mori Mariana Memento Mari - não esquecerei de nada, nunca.
A realidade me tem nas mãos imundas
me joga, me pisa, me humilha, rindo.
Só me lembro disso:
o processo, a acusação, o espancamento
K.?
Sou eu, K.
Josef K., onde estás? Por que te escondes?
Da lei, da ordem, do mundo? De Kafka?
K., volte. Olhe para tua culpa, teu medo, teu desvelo infundado.
Elsa, Leni, mulheres...corrompidas por pesadelos fatais.
Subornos entre chibatadas, paredes sem janelas são muros de concreto.
Casas sem teto. Pessoas mortas por todos os lados.
Onde está a lei, K.? Onde está você?

K. volte-se e olhe-se aqui.
Toma teu espelho e te vê.
Teu espelho é a sociedade.

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