domingo, 22 de maio de 2011

O velho e o mar

Vivo aqui, neste estreito chão de madeira
quase toda noite invadido por um pedaço do mar.
Vivo aqui, eu mesmo, invadindo algum pedaço de mar...
me alimento de braços e pernas do oceano,
comendo a carne azul dos peixes, vendo o céu com os olhos
vítreos do astrolábio, do telescópio, da pena, da tinta a escorrer
enquanto meço e desmeço para nortear esse cargueiro
navio-cargueiro que é a vida.
Não danço mais valsas, nem canções antigas de amor
não ouço mais a magia das sereias dos mares, nem das terras...
Meus companheiros são o arpão enferrujado, a âncora sempre levantada
a velha espingarda e a solidão.
Tudo que vejo é mar. E tudo que há em mim é maresia.
Sento e espero esse navio afundar, quem sabe, um dia...
Quem sabe, um dia...

2 comentários:

Naaman disse...

Andou lendo Hemingway?
Essa foi papisicografada...

Mariana Belize disse...

Gostou, né?

Penso em você sempre que vou falar sobre o mar. Aliás, conheci o mar por seu intermédio e a poesia que há nele também.

Beijos, meu queridão.
Mari