segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pra tua cara de criança triste...

Atrevo-me a dizer que te amo, porém não assumo meu segredo: teu nome.
Atrevo-me a dizer que te quero, porém não digo quando nem onde.
Atrevo-me a olhar bem nos teus olhos e sussurrar a verdade,
porém, no meio do vozerio
e você não ouve.
Atrevo-me a sorrir querendo chorar e a chorar quando quero só rir.
Atrevo-me a ter esperanças. Atrevo-me a crer nessa espera.
Atrevo-me a não crer em distâncias que nos separem.
Atrevo-me a te chamar em pensamentos.
Atrevo-me a qualquer coisa e, a quase tudo.
Atrevo-me a não ser nada.
Atrevo-me a te ser tudo.

Espero a dizer que te amo, porém não assumo meu segredo: teu nome.
Espero a dizer que te quero, mas não digo quando nem onde.
Espero a olhar bem fundo nos teus olhos cor de castanha enquanto sussurro a verdade.
No meio do vozerio da rua, você não escuta.
Espero a sorrir quando quero chorar e a chorar quando nem quero mais viver.
Espero tendo esperanças fúteis, indigestas, pecaminosas.
Espero crendo na inutilidade da espera.
Espero não crendo na distância que nos separa, mas no olhar que nos une.
Espero tua voz enquanto te chamo nos meus pensamentos: te ouço nas lembranças vívidas que embalo dentro de mim...
Espero qualquer coisa e quase tudo.
Espero não ser nada.
Espero ser só teu tudo.

Passo a dizer que te amo, porém não escancaro meu segredo: teu nome.
Passo a dizer que te quero, mas não digo quando nem onde.
Passo a olhar bem fundo nos teus olhos, cheios de anoitecer, enquanto sussurro a verdade.
No meio do barulho dos carros, você não me ouve.
Passo a sorrir quando quero chorar e a chorar quando passo a sofrer.
Passo a sofrer, quando só quero amar. E viver.
Passo a ter esperanças inúteis, insones, grotescas, que me enchem de culpa.
Passo, crendo na minha própria imaturidade.
Passo vendo a distância que, agora, nos une. Para mais tarde, nos deixar a sós.
Passo pela tua voz enquanto te clamo nos meus pensamentos: Vem!
E teu perfume me embala dentro de mim.
Passo por qualquer coisa e quase tudo.
Passo por aquele nada que é tudo.
Passo a passo, sigo o amor.
Passo assim, pelo futuro:
passo por mim, num segundo,
passo assim, num céu profundo,
passo carmim, passo grená
passo por aqui
passo por acolá.
Passo como a vida
passando pela morte
passando noutro segundo,
num passinho diminuto,
passo de novo
por dentro de mim
num oito deitado,
que é infinito,
passo por dentro de mim.
Passo por dentro de mim
para encontrar o que há em ti.

Amo-te em dizer assim
que o que há em mim
é nada mais
nada menos
do que há em ti.
Amo-te e te sinto vento
balançando meus cabelos
invadindo meu espaço
roubando meu coração
levando meu sono embora...
mas ah! como iria sonhar
se não fosse por você
a me ventificar...
mas ah! como iria sofrer
se não fosse você
a me reinventar...
mas ah! como iria te amar
se você não tivesse
essa cara assim
de criança tão triste?
Amo-te!
E é só o que tenho para te dar:
Amor e versos.
Versos e amor.

4 comentários:

alexandramoraes disse...

-.- suspiro bem fundo -.-

Mariana Valle disse...

Nossa, Mari.
Esse poema parece um quadro pintado...

Mariana Belize disse...

Xanda só suspira...
rsrsrs

Mariana Belize disse...

Mari, é um quadro pintado:
um quadro pintado de mim.


Beijos.