quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tanta coisa, me desculpa, nem sei o que dizer...

Brisa leve, suplicante
canção esquecida
dentro da noite.
Canção marítima, onda sobre onda, eterno oceano soluçante de amor.
Brisa fria, perfumada
docemente pelos meus cabelos
jogados, desleixados,
no teu travesseiro.
Cabelos desalinhados, coração delirando no breu.
Brisa entrecortada por vozes
espalhando a confusão
espelhando os corações
nas paisagens fugazes
desse outono, espantando meu sono.
Aumentando minha dor.

Procuro palavras que me salvem. Procuro palavras o tempo todo
para me agarrar...não quero me deixar levar pelo abismo
[tempo todo]
Estou exausta...caminhando
[tempo todo]
por uma estrada sem fim
[tempo todo]
em direção ao infinito,
[tempo todo]
à solidão...ao silêncio indolente...
[tempo todo]
Silêncio! Já posso ouvir tua voz
[tempo todo]
cantando minhas palavras
[tempo todo]
por aí...
[tempo todo]
Silêncio! Já sei o que devo fazer: amar
[tempo todo]
acima de tudo
[tempo todo]
minhas letras,
[tempo todo]
minhas ideias,
[tempo todo]
meus escritos...
[tempo todo]
Meus escritos são meus companheiros.
[tempo todo]
Minhas letras são carinhos imaginários,
[tempo todo]
fictícios...como num sonho lúcido
[tempo todo]
do qual a gente só lembra,
[tempo todo]
quando acorda,
[tempo todo]
da sensação leve e fugidia.
Depois, esquece levemente durante os afazeres diários.

Acho que não sei escrever direito.
Não sei...parece sempre que falta algo
um sentimento a mais,
uma vírgula a mais, talvez
uma palavra diferente num verso,
uma rima que poderia ter sido construída
de forma inteiramente diferente...
não sei escrever bem [como eu deveria]
e minha poesia não existe.
poesia tem rima.
eu não rimo porque não tenho aquela paciência
castro-alviana de ficar procurando palavras,
sinônimos, lendo dicionários...sei lá![e nem sei se ele precisava procurar palavras
acho mesmo era que as palavras era que procuravam ele]
Assim,
talvez, eu escrevesse melhor, definindo
melhor
meus sentimentalismos baratos.
Amor? Não, não é amor,
nada é amor. e eu penso agora que poderia escrever isso assim direto sem pular linha alguma
nem usar vírgula nem ponto nem ponto e vírgula Ponto
Mas, eu penso nas regras, se eu não penso, elas gritam...
e as regras que eu não sei, se inventam sozinhas, e gritam.

E eu fico
no meio da gritaria
repetindo
repetindo
repetindo
"não estou sentindo-me bem"
"não estou me sentindo bem"
"não me sentindo bem estou"
"não bem me sentindo estou"

E quando tudo fica claramente sem sentido, só, eu sorrio, calada, para as tamareiras da Andaluzia distante nos meus sonhos infinitos...

5 comentários:

Naaman disse...

Tão importante quanto a rima, é o ritmo. Isso você tem demais... Lembra que eu sugeri você procurar alguém com conhecimento de composição musical? Pois é, tô sugerindo de novo... Que tal o Caê? Lembra da música "Língua"? Então. Imagina a última frase: "E quando tudo fica claramente...", recitada, num sussurro e a outra: "Mas, eu penso nas regras, se eu não...", cantada, aos berros, encerrando um show. Já pensou?
PS: Papi, viajando...

Mariana Belize disse...

rsrsrsrs

Não sei de ninguém com conhecimento musical pra musicar as coisas que escrevo, pai.
Eu nem sei tocar nada também, senão eu mesmo me metia a fazer essa bagaça...rsrsrs

Ritmo? É, tem ritmo mesmo. Concordo...rsrsrs

Mariana Belize disse...

Aliás, gostou do [tempo todo]?

Naaman disse...

Claro. Já imaginou esse refrão, ao fundo... Lembra do "porque hoje é sábado", do Vinicius? E o corvo do Poe: "Nevermore".?

Mariana Belize disse...

Lembro!

Aqui tá mais pra corvo do Poe. rs