quarta-feira, 1 de junho de 2011

Passa tempo, tempo já passou

Por muito tempo, desisti de pensar num futuro
que desse conta das minhas expectativas mal calculadas...
Por muito tempo, insisti na ideia de que não haveria futuro algum
para alguém como eu
e que pensar nisso era pura perda de tempo...
Por algum tempo mais insisti em esquecer...qualquer ideia
anteriormente formulada e plantada na minha mente
e que eu deveria apenas reproduzir...
as mesmas cenas, as mesmas palavras, os mesmos gestos
e, no fim, me tornar uma senhora
sobretudo respeitável, cheia de diplomas
sem rugas e infeliz.
Por muito tempo, enganei-me ao me comparar porcamente com outras pessoas
e seus cabelos mais brilhantes, seus dentes mais brancos
seus temperamentos tão brandos e os sorrisos sempre abertos e francos...
Por muito tempo, me achei uma coisa. Uma coisa inútil e disforme sem lugar. Sem o que esperar, sem o que fazer, sem o que dizer. Uma coisa sem nome que vagava pela Terra.
Como um fantasma lívido...sem paz, sempre em agonias profundas, sempre em lágrimas, sempre em dores intensas.
Como um vampiro lúcido...sem fome, sem destino, simplesmente esquecido por todos. Sem passado, sem hojes nem agoras, sem futuros porque é imortal e seu futuro começa quando deseja.
Como uma nuvem solitária que não faz uma tempestade sozinha. Como uma andorinha que não traz o verão nas asas...
Como um pressentimento ruim, um vento que vem sem ninguém saber da onde e nem que direção tomará.
Um pronome indefinido. Sem nada de belo em si, nem ao redor. Um nada sem tudo.
Aquilo que é sem explicação.
Aquela que ninguém nunca ia ver.
A invisível entre as gentes, algo como a Morte. Imortal.
A que observa e nada diz. Silenciosa como o vento norte. E fria.
Passando entre as multidões sem se misturar. Sem se converter ao asfalto, à poeira, à gasolina.
Sussurrando para si mesma, como numa prece, suas mínimas ideias
e escrevendo, escrevendo, escrevendo, escrevendo, escrevendo ad aeternum
quando todos se refugiavam nos campos de concentração do sono...
e seus sonhos eram para libertá-la, não para fazê-la evadir-se da vida.
E a que passa, de repente, a falar de si em terceira pessoa.
E a ver a si mesma, na frente de si, sem medo ou receio de ler a verdade nos olhos da outra.
Outra mesma que sou eu. Monodiálogo.

Conheço-me, respeito-me, aceito-me. Amo-me. Hoje.

Um comentário:

Alexandra Moraes disse...

mas amar é sempre só por hoje. amanhã é lucro!!