quarta-feira, 1 de junho de 2011

silenciosa mente insana

Ouço, quieta, os barulhos que vêm lá de fora.
Vozes, risos, brigas. Uma barulheira sem fim.
Há carros e buzinas. Alarmes anti-furto, sim.
Há berros e choros infantis. Mãos que batem.
Mulheres que gritam, homens que batem portas.
E eu aqui os ouço, caladamente. Sem alardes.
Fala em mim o silêncio das noites pesadas...
que ressona, distante de tudo, diante de mim.
Olho para dentro. Há palavras esparsas escritas
nas paredes de manicômio. Flores de plástico
cantam a noite em meio a poeira. Descoloradas
cortinas, estátuas horrorosas...gárgulas gritam.
Sobre o piano coberto, uma velha fotografia
evoca lembranças perdidas. Um nós inexistente.
E eu, na realidade, estou aqui fora. Embebedando-me
de silêncios vazios e esparsos. Tristezas que calam.
Tua voz ecoa nas paredes brancas da memória
murmurando frases já esquecidas...mistérios.
Teu riso distante já não me alcança o coração.
Saudade aperta, sufoca, fel na língua ressecada
solidão engolida com saliva misturada a tédio.
Dor em cada canto, enfeita, como flores do mal.
Tua presença na ausência de mim...grita.
E relembro, são luzes nas cortinas brancas
e era setembro. Conversas iam e vinham.
Sempre apressadas ao telefone, sempre indo
lentes. Prefiro não pensar...e esse é o fim.

Um comentário:

Alexandra Moraes disse...

"Embebedando-me
de silêncios vazios e esparsos. Tristezas que calam."

Nossa!!!!