domingo, 26 de junho de 2011

Sob a sombra dos gigantes

Vamos, Eichendorff, acompanhe-me...
Vamos, meu caro Adorno, fale-me...
Dêem-me cá seus braços, meus amados, vamos caminhar pelos campos de Outrora...
Apertem-me em seus abraços schubertianos...

Vamos, Hölderlin, sou sua Diotima...
Venha cá, meu querido Verlaine, me leve aos "luares musicais"...
Rauschen... murmura a noite
Rauschen... sussurra o vento sobre as montanhas da Germânia...

Não, por favor, Goethe...
não me distraia...
Não, por favor, que a Vida me esqueça...
Hoje só quero da noite, o eco; do mistério, o murmúrio dos séculos.
E que o domingo eu passe,
Simples mulher acompanhada de poetas
Simples deusa adornada de letras
Simples sacerdotisa de luares coroada
Mulher-menina enfeitada de flores montanhescas...

Caminhar, caminhar, caminhar
e voltar ao eterno recitar...
A poesia é um eterno fiar...
cada palavra detém a noite ou o dia
cada letra, uma gota de chuva...uma brisa de verão...
cada ponto é um fim.


Caros poetas,
meu amados e amantes das noites de alucinação e espera,
tenho um amor maior que tudo
maior que a vida
maior que a rotina
maior até que meus segredos de menina...

Carrego um nome
um nome dolorido marcado no coração.

ele sabe o amo
ele sabe que me detém
na sua angústia, eu acompanhá-lo-ei
na sua dor, cantarei para adormecê-lo nas finas malhas dos sonhos
nas suas alegrias, estarei bela a sorrir a seu lado
e, agora, aqui na solidão
eu o clamo
eu o chamo
eu o lembro
de que o amo.


E meu amor por ti é maior que tudo.
Maior que todos os mundos...maior que a Vida e a Morte
Maior que a dor, a espera, a solidão...
Maior até que eu mesma.
E que nós dois.

Amor eterno ao que sorri
tristemente sorri
naquela velha porta
da velha tabacaria...
Amor eterno ao que eu vejo
pelos vidros do meu escuro quarto
que tristemente sorrio
sorrio para ele, em meus sonhos mais adocicados.

Ele
que é o Dono da Tabacaria
do meu pequeno e tímido coração...
Eterno amor. Dor imortal.
Aqui jaz, nestas linhas
o coração de poetisa
escusa, marginal....
Aqui jaz...fria e hesitante...
de olhar vago e voz sublime
declarando amor...
aos olhos teus...
e poemas eternamente escritos
repetidamente....recitados nas madrugadas cálidas...
a poetisa, amante de seus ideais,
tua mais perfeita companheira neste "mundo, vasto mundo"...

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