terça-feira, 7 de junho de 2011

Tédio agrícola

Caminho mil vezes
pelas mesmas estradas
de tantas desditas, de tantas dúvidas
malditas.
E mais de mil vezes
vejo os mesmos semblantes cansados,
ressecando-se na repetição
maldita.
O tédio é ferrugem
corrói toda a esperança
(quase sinto agora teu perfume no ar).
Eu passo e o vento apaga minhas pegadas
olho para trás e o caminho feito é só poeira
e nada mais.
Não sei voltar atrás porque
simplesmente
não há caminho de volta:
minha vida é via de mão única.
Uma coisa eterna sempre em frente.
E me nego a tropeçar nas mesmas pedras.
E me nego a seguir errante pelos mesmos atalhos.
O tédio, esse gafanhoto
que destrói minha plantação de sonhos.
Inseticida de gafanhotos comedores de sonhos
custa caro demais no mercado.
Aí, eu vou lá e planto sonhos novos
e
envenenados.

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