sexta-feira, 1 de julho de 2011

Não é segredo


Vivemos entre culpas, remorsos,
recalques e desesperos
Vivemos entre dores, tristezas,
obsessões e desejos

Por quê me sinto tão culpada?
Pra quê carregar tanto pecado?
Viver curvado sob uma cruz inexistente?
Viver mantendo uma maldita aura de santidade...
mesmo sabendo que o fim é o inferno pessoal
e crítico da própria consciência...
viver assim vale a pena?
Morrer assim vai valer alguma coisa?
A vontade é a lei? O amor sob vontade,
Aleister Crowley me ensinou...
Também não.
Rita Lee disse que "no fim tudo vira bosta".


Todo erro é proposital.
Todo erro é proposital.
Todo erro é proposital.
Todo erro é proposital...


E eu? Ah! Eu sei que não posso dizer só o que quero,
rir só pra quem merece, falar só com quem desejo.
Beijar o cara que quero, dizer quem amo de verdade,

desprezar matérias, não pensar em dinheiro
e, muito menos, vestir a roupa que me der na telha.
Apontar na cara que eu quiser, dizer o que acho e o que deixo de achar...
e depois,
ficar num momento só meu: sem perturbações de absolutamente nenhum babaca.
Mas
Porém
Entretanto
Todavia
eu sei que tem que ter um filtro
tem que ter um filtro em tudo
tem que ter uma censura ridícula
tem que ter uma edição interna dizendo que
"isso pode"
ou "isso não pode".
tem que ter...tem...tem mesmo?

Que inferno tremendo seria
dizer tudo exatamente como está na minha cabeça!
Ah! Mas que chamas horrendas me consumiriam
num prazer torturante
de dizer terríveis palavras humilhantes
a uma certas pessoas que me espiam os atos!
Ah! Mas que prazer terrivelmente sublime seria
mostrar as garras de Harpia
e assustar as pobres e indefesas ovelhinhas
que batem palmas para qualquer espetáculo idiota!
Ah! Quão libertador seria
soltar um grito demoníaco...e matar do coração
as menininhas obedientes a seus pastores.

Ah! Que ódio profundo e seco de quem sabe fazer média!

Ah! Que inveja amarga e rútila em meus olhos
de quem saber fazer charme...
Meus olhos traem minha voz fingindo de gata.
E quando quero parecer simpática,
eles simplesmente gritam um Não, sonoro e furioso,
e cai por terra toda a dramatização.

Sou uma péssima atriz, confesso...
Porque quando eu digo sim, é Sim
e quando eu digo não, é Não.
E tudo em mim é de uma sinceridade grosseira...
Ó Realidade cruel!
Com gosto de fel e limão
Uma colherada das grandes de vinagre
E uma pitada de sal iodado.
Misture e vire garganta abaixo.
Insuportável. Sou insuportável.
Com um ódio surdo. Um tédio malévolo.
E, se viva estivesse no tempo das espadas,
e fosse um homem de armas...
Ah! Quantas mortes eu não carregaria
nos braços fortes e na lâmina afiada?

Mas, não. Pedem que eu seja generosa
e não entendem que já fui ao máximo
de qualquer coisa bonita e sublime e caridosa.
Estou cansada de me prestar à esse serviço de humildes!
Cansada de viver de joelhos roxos de quedas.
Cansada de malditas insônias.
E palavras represadas que vão me criando cânceres!
E palavrões guardados, mas que foram feitos a fim de que fossem gritados
expelidos
escancarados!

Ó grandes idiotas, eu vos proclamo a me crucificar...
talvez, tendo um fim assim, eu possa, num dia, ressuscitar
e me fazer santa e bela e casta.

Hoje, sou pútrida! E sem culpa!Sem remorsos! Sem...
amor.

E que planos sórdidos são mancomunados entre risadas explícitas?
E quantos conluios implícitos em olhares?
E qual a graça de jogar se não houvessem peões para serem sacrificados?

A próxima lua escura virá.
Puramente imersa em sangue que descerá dos céus.
Sangue de covardes hipócritas manchará a terra.
A chibata correrá, seu vento parecerá uma brisa...
Já conhece a quinta cavaleira do apocalipse?
Pois procure.
Ela vem com uma chibata no punho e veste o verde.
Carrega na fronte a lua encarnada...nos punhos, os dragões desenhados...
E ela sorri, imersa em luz
demoníaca.
E grita. Em seu som, originário das
profundezas,
há toda aquela simbologia oculta
maldita
e há também pranto e ranger de dentes:
um choro de mulher como outro qualquer.

E haverá só ódio e morte.
E riso.

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