segunda-feira, 4 de julho de 2011

Tentativa

Pensei em escrever-te um bilhete
para, quem sabe, amanhã entregá-lo...
Amanhã, quem sabe, depois que passar o amanhã
tudo aconteça...depois do depois...
Quem sabe? Antes de amanhã?
Tudo aconteça, enfim, como sonhado
e escrito e rasgado e arrependido...
Quem sabe à tarde de amanhã...Quem sabe à noite de amanhã...
Ou, um dia, pequeno dia, quem saberá...

acho que você já sabe...

Pensei em dizer tudo que sei, sem esquecer
nenhum mínimo detalhe
e rir
da sua cara de bobo...quando soubesse
que a carne é fraca

mas, o coração é forte e o amor
eterno.

Quem sabe, amanhã?

O amanhã e seus sublimes encantos...
pra deixar pra depois
só pra outro dia
do novo amanhã.

Pensei nas palavras que ia usar
pra te dizer o que se passava
já há tanto tempo aqui
dentro de mim.
Calculei, arrumei, cronometrei
cada olhar
gesto das mãos e meneio da cabeça...
Não adianta porque logo desisto...

... fico nervosa.

Melhor não dizer amanhã...
vou deixar isso tudo pra ontem
antes de ontem...
pro ontem do mês que virá!

Mas...será?

Não posso deixar de pensar no que aconteceria.
Os seres humanos...ah! Os imponderáveis
homens...
Calam os corações e escondem as sensações
bem no fundo, lá no fundo
de dentro de si.
Enquanto isso, eu fico aqui
"de coração na boca e peito aberto"...
sentada, pensando
on the road...caminhando pro que há além de mim...
cantando uma canção esquecida
...cantiga da estrada serena e sublime...
de estrelas aveludadas dos céus eternos
que já morreram
e são as luzes de suas quimeras
que nos dão esperança.
Não.
Céu escuro e profundo, eu canto
e sonho.
Mais do que ontem, eu cantaria alto
se não soubesse
            que você vai...
sem querer, que você vai

embora em má hora...

eu é que não queria que você fosse hora nenhuma!

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