quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Laissez faire

Todo meu corpo se move

cadência estranha:

o coração, a cada batida, letra a letra
forma
uma oração.

Sintaxis velada... Maldição!

O vento, o lamento, a rima, o tormento
do terceto, quarteto...que não combinam. Maldição!
Os versos brancos me gritam impropérios
sublimes.
Sonetos revoltam-se. Baladas rechaçam-me.
Os poetas me amaldiçoam
de suas cadeiras
na Academia Brasileira de Letras.
As poetisas praguejam contra mim
[todo tipo de infortúnio cruzará meu caminho
morrerei sozinha, viverei sozinha
o resto de meus dias]
de suas cadeiras vistosas
nas salas de espera
de seus psicanalistas.

A literatura está uma bagunça!

Vamos engendrar uma fôrma nova,
algo revolucionário
como seis mais seis igual a doze,
como trocar meia dúzia por duas vezes três...
Vamos falar do que nunca falamos,
vamos pintar o que nunca pintamos,
vamos olhar para o que nunca quisemos ver.
Vamos fazer algo novo?

Não. Ninguém vai entender.

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