sábado, 15 de outubro de 2011

Sete chaves erradas

Apago a luz para chorar
para ninguém ver, nem mesmo eu, que minhas lágrimas são
[na verdade]
vermelhas.
Apago a luz pra ver tua imagem
estampada na minha mente
materializada na nuvem de tristeza
do quarto.
Apago a luz pra ver melhor
você.
Apago a luz pra não pensar...
Apago a luz. Minha luz.
E me escondo em mim de minha própria memória.
Respiro fundo tentando apreciar
tanta loucura, tanta dor, tanta tristeza
e as lágrimas não me perdoam
as lágrimas não me perdoam...
A dor cala fundo na alma
e meu processo é sempre esse apagar de luzes...
Ninguém nunca vai entender
como tamanha dor cabe num corpo tão pequeno
como tamanho amor cabe num coração tão pequeno
e como tanta tristeza, numa alma só.
As lágrimas não me perdoam.
As lágrimas não me mostram o caminho.
Nem o amor. Nem as palavras.
Nem a natureza tétrica, destruída.
Nem a linguagem, essa pantera que me atormenta.
Não sou de madeira, não sou metal.
Não sou água, nem fogo puro.
Foi-se o tempo que fui alguma coisa.
Sou nada e nada permanecerei
até que os dias me engulam
e a tristeza me extermine.
Não sou metal.
Sou escrava de minhas incertezas
e minha doença é a dúvida fremente
que corre e rodopia
sob minha pele.
Não sou metal.
Não sou nada demais.
Não tenho mais nome. Não me reconheço em nenhum pedaço de papel.
Não me reconheço no pedaço de vidro em que vejo uma face refletida.
Meus olhos estão fechados.
Minhas mãos tremem.
Minha boca escancarada, grito. Grito!
E o vento me abafa. O vento fenece meu grito amargo.

E eu me perco em mim mesma. Mil vezes.
E fim.

2 comentários:

Mauricio Tramonti disse...

Bonito, muito sensível.

Mariana Figueiredo disse...

Olá, Maurício.
Obrigada pela visita e pelo comentário.

Forte abraço,
Mariana