sábado, 26 de novembro de 2011

Concha

Os travesseiros que abraço
friamente
são de carne humana
esponjosa
podre
opaca
fétida

A solidão sossobra
e vai
voltando
calmamente
pendulária e desconcertante
já não sorrio


A pele que habito
é fria
e sobre as penas do ganso morto
regado a sangue
coberto com fronha branca
se torna macio
aprazível
e eu descanso minha cabeça sobre a morte

O travesseiro suga minha inspiração sem palavras
sinto sede de algo
que me aqueça, reverdecendo meu espírito
derrotado pelas horas mortas

Deus?


Só vejo os manequins de braços estendidos
olhos petrificados sem pupilas
esperando as luzes do céu


Céu não azul


E quando chora me cobre de cinzas
e murmúrios
resmungos de dentro de mim.
Prendo as lágrimas num frasco quebrado.

E rasgo a mortalha para mim mesma.
E corto sem dó meu único casaco.


Sou uma borboleta por entre os carros engarrafados.
E já não vejo as luzes de natal...



Não sei.

3 comentários:

Naaman disse...

Aaaaaargggghhhhhhhhhh! Parece o Louis do "Entrevista com o vampiro"!!!!!!!

Mariana Figueiredo disse...

rsrsrsrs
A intenção era parecer algo escabroso, terrível mesmo. Acho que consegui. rs

Beijos,
Mariana

Naaman disse...

As coisas que você escreve tem um efeito interessante em mim. Ou parecem uma letra de música e, quando dou por mim, estou imaginando uma música prá acompanhar. Ou parecem o roteiro de um curta e, do mesmo jeito, fico dando asas à imaginação e filmando. Legal, né??!!