terça-feira, 15 de novembro de 2011

Plena mente

Sonhei que dormia
Despertei e tudo era desvario
da carne
mortal pútrida
ilusão da matéria
pesadelo do corpo.

Sonhei com o dia
de amanhã
e não quis despertar:
saber como ele seria
é demais para mim.

Sonhei que acordava
e tinha certeza de tudo.
O Eu não era mais O Eu de tudo.
O eu era nada. O tudo era um monte de outros.
Sonhei que me via no espelho.
E o eu profundo era o universo de todos.
Os outros eus eram de outros Outros.
O meu Eu era de todos.

Sonhei que tudo que tinham me contado era
mentira.
E todas as leis do Universo eram reais em onze dimensões.
Pós-apocalípticas...tudo irreal.
Sonhei que Verdade Absoluta não existia em lugar algum.
Sonhei que isso me libertava.
Sonhei que era feliz.

Sonhei que acordava do sono profundo da desistência.
Sonhei que existia.

Sonhei aquele não-sonho
que toda pessoa espera a vida inteira.
Sonhei que vivia

plena
mente.

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