sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

De saída

Olho meus sapatos espalhados
as folhas rasgadas pelo chão
a mala aberta, as roupas amontoadas
livros empilhados

Olho pro céu (pela janela)
as nuvens esperam o melhor momento para chover
as estrelas não apareceram
a lua dorme suavemente envolta num lençol branquíssimo
o ar esfria calmamente

Olho pra mim
não faz diferença.
Olho pra mim
não vejo nada.
Olho pra mim, uma marca de sangue,
o gosto de fel, o cheiro de inverno,
os pés machucados, as mãos feridas.
Olho para mim... e nada.
Olho para mim... asas cortadas.



Procuro palavras que não existem
para exprimir sentimentos inventados.
Eu também não existo:
isso é uma mera invenção

de mim.

Um comentário:

Carolina da Hora disse...

Fortíssimo! Fiquei sem palavras.

Olharei novamente para mim e tentarei enxergar algo a mais.