sábado, 3 de dezembro de 2011

Pedaços

Não sou.
Estou sendo uma construção.
Construção construída aos frangalhos despedaçados
de coisas
que também não são
e nem sei
se realmente existem
na realidade.
Nada sou.
E nem sei
se existo.
Nem entendo o que é a verdade;
nem a mentira pura;
nem a traição fugidia;
nem a memória latente;
nem a linguagem inata;
nem o nada.
Tudo se liga em mim
por um processo esquisito
que machuca
mas enriquece algo de mim
que se chama experiência de vida.
Não sei também o que é vida.
Não sei o que é o nada.
Não sei o que é saber.
Que bom. Não sei de nada.

Ah! Quão delicioso é o sabor da liberdade!

3 comentários:

Naaman disse...

Socrática! Sócrates, já ouviu falar? "Só sei que nada sei!" Platão aprendeu bem e, melhor ainda, Aristóteles. Esse é o cara! Pegou tudo o que seus dois antecessores falaram e escreveram (Platão escreveu pelo Sócrates, que não escreveu nada), mastigou e escreveu tudo o alguém poderia ter escrito até os dias de hoje. Depois de ler Aristóteles, não precisa ler mais nada. É tudo repetição, ou escrituras em estilo. Ahá!!!
Já recebeu os livros? Acho que no meio deles, foi "A ética a Nicômano" do dito cujo. Se não foi, me avisa, que mando noutra remessa. E as óperas? Beijão. Te amo.

Naaman disse...

Caraca! Achei que tava no email e escrevi recado. Foi mal, como diz meu filho.

Mariana Figueiredo disse...

rsrsrsrs

Já recebi tudo. Ainda bem que não mandou o Ética a Nicômano. Eu já tenho, você comprou pra mim quando fui a Belém, esqueceu?

Nas férias, vou parar pra ler esses filósofos... preciso do que eles têm pra me dizer.

Ainda nem vi as óperas. Quando entrar de férias, vê-las-ei.

Beijão e valeu pela visita.
Mari