terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Limite

Aqui
há olhos invisíveis
que me observam

não os surpreendo a seguir meus passos
são rápidos
ao se esconderem

porém sinto-os
acariciando minha pele
com fachos de luz
dos olhos provindos
e sugam minha alma
antes que eu durma.

Roo minhas unhas
tiro o esmalte
...
não uso mais a maquiagem
não ouço mais música
deito no chão
e solto os cabelos

meus dedos sangram
ardendo como a alma arde.

queria ser o que não sou.

escrever me sufoca.
e me angustia procurar um caminho
estrangeiro
que não sei se existe
não sei onde está
não sei onde começa
ou onde vai dar

deve ser imaginação.

escrever me angustia
o chamado do papel
o farfalhar dos papeis
o esfregar da caneta na folha

nenhuma música canta minhas dores.
não há fuga.

A vida ficou sem pressa, pai...
Mas antes ela fosse uma bendita correria
e meu coração fosse um carro de fórmula 1
assim eu me esqueceria de mim
em cada minuto do dia
assim eu me enterraria
em cada segundo do dia
e os ponteiros do relógio não seriam como agulhas
na pele
ardentes
furantes
que sugam e drenam
meu sangue.

Ó Tempo! Ó Vampiro invisível
no espelho da existência!

Ah...


Om.

Um comentário:

Naaman disse...

Viver sem pressa é muito legal...