quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Morada noturna

A noite não mora dentro de mim.
Ela mora lá fora
longe das grades da minha janela.

A noite mora em quem mora dentro dela.
Não estou na noite nem no dia.
Estou em lugar nenhum.

Sinto só essa lua vibrando em meu coração
e me abandono
nos braços mornos do sono
sem sonhos, sem esperas, sem amanhãs.

Sinto só essa lua
morando na noite
me chamando pra fugir
da solidão.

E me abandono,
tristemente presa
e acorrentada,
nos braços mornos do sono
sem sonhos.

Poesia que me dói, poesia que me desperta
poesia que atiça
me envolve, depois me larga.

A noite nunca morou em mim.

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