sábado, 25 de fevereiro de 2012

Proscrita

Dei um gole.
A garrafa mágica do meu transe egocêntrico.
Vesti a realidade. Não coube muito bem,
meio apertado, meio transparente.
Dei um salto.. ela largou de mim como seda.
Guardei a esperança no bolso da calça jeans.
Um dia posso precisar... quem sabe...
Calcei os patins da vaidade. E brilham, serenos,
como balas de festim no meio da noite.
Não sei se balas de festim brilham.
E eu rio.

Sou levemente insuportável.
Um mal necessário?
Sutilmente charmosa.
Basta olhar bem.
Inteligentemente fingida.
Like an actress.
Uma estátua de mil faces que se movem.
Um Taj Mahal de sensações explícitas.
Uma gargalhada é um milhão de gargalhadas por todos os poros
e dentes.

Tenho um gosto meio azedo,
uma aura antitética
antiética.
Sou egoísta. Não curto multidões porque me pisam.
Não ouvem meu grito. E me torno só mais uma.

Vaidade das vadiagens. Tudo é vaidade.
E abominação das abominações!
Babilônia exposta numa tatuagem invisível

uma marca escondida nas costas.

Pecados me rondam
subliminares sentidos
manchando meus espíritos.
Berram canções de indolência e horror.
Não guerreio mais
as batalhas foram perdidas
no mar cinzento das lembranças
de hostilidade impura.

E os pássaros vêm... são corvos?
Rasgam-me ao meio
em certíssimas proporções
enquanto escuto tua voz
ao longe
entoando proposições
na madrugada.
Rasgada, estou viva.
Ardente sangue escorre
até que a manhã chegue
enfim
o sangue é falso
seco e fosco.

Nada me detém na "caligrafia rápida desses versos"
ou algo assim.
Pórtico alguma coisa do infinito
não lembro bem

Sou alfa e sou ômega.
O princípio e meu fim.
E Eu vi que tudo era bom. Eu julguei a mim mesma
e me absolvi.
Descansarei no oitavo dia,
no sétimo ainda estarei trabalhando.

Amém.