sábado, 28 de junho de 2014

aquela outra mulher

escrevi no espelho dos teus olhos
o meu batom vermelho carmim escarlate
pesado e ligeiro
as mãos condenavam os desenhos que os lábios desconcertados
faziam no teu corpo marcado
a frase foi: eu nunca fui feliz.
tudo mentira. a arte me dá as desculpas insensatas de escrever
tudo que não sou capaz de fazer,
e eu me relaxo nessas gramáticas exclusivistas
 num jogo do brasil
e numas ideias políticas da década de sessenta
brasil afônico.
escrevi no espelho do banheiro com batom vermelho
o meu pensamento recorrente da vida
 e você leu
e não se lembra mais de como é ser feliz?
 nem eu.
a frase foi: eu nunca estive aqui.
depois fui embora e desapareci.
volto aqui agora carregada nos braços dessa poeta porque
me pesquisou nos mundos fluidos do pensamento
e eu estava lá, vestido vermelho
e camisola amarga singrada nos lábios
escarlate carmim vermelho
recado no espelho do banheiro
e dizia assim:
nunca olhei teus olhos.
podia ser coisa pior, mas eu não morri.
vivo na história que contam de mim
 e no estado de amor e ódio
que você esconde em si.
a frase foi assim: vou me matar.

a última coisa que te disse
como sempre
tudo foi mentira
 resolvi que a última


também seria.
a frase era assim: nunca te amei.

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