segunda-feira, 30 de junho de 2014

Áta-me

enforcando em carótidas partidas a dor,  sussurrando beijos em todos os formatos da lua às gargalhadas. Áta-me, aos teus selvagens desejos minhas ilusões e serei secretamente salva agarrada nos teu cabelos? Desesperadamente, as cobras rastejam, excitadas prendendo minhas pernas numa crueldade sem limites: estouram meus tímpanos com seus chocalhos. Soluço em meio às preces fracamente recitadas. As lágrimas lavando minhas feridas, caindo na terra como ácido. Covas obscuras como gargantas do Mundo retinem suas cordas vocais em músicas sobrenaturais. Esperando as sonatas do inverno, encostada nos troncos dos freixos, amarrada lentamente pela neve a manter os pés descalços no chão. Aguardando o Lobo, sou um alimento a ser devorado. Nada de sentir medo agora que a promessa já foi cumprida. Corpo presente com laço de corda colorida, cabelos ao vento, neve tocando a pele descoberta. Deixe seu perfume quente inundar a floresta e encantar os lobos. Ensaie seus uivos para a matilha. E aguarde.

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