quarta-feira, 9 de julho de 2014

Do contra

Sempre que estou perto, observo suas mãos. Elas tem sobre mim um encanto, nada erótico garanto, mas uma espécie de feitiço odioso que me faz sentir um ódio mortal de você. O cigarro que você empunha, as palavras alheias que cita ironicamente, os olhares falsamente construídos para convencer os outros, tudo que vem de você é falso. Porém, brilhante.
O sorriso másculo substitui, às vezes, a seriedade montada feito um circo para conduzir as almas indefensáveis ao Inferno. Nas outras vezes, é pura hipocrisia em saber que todos somos enganados, uns mais, outros menos, pelas mesmas coisas da vida. Você sabe, enfim, como enganar melhor os outros? Mas não sabe que está sendo enganado também. E isso me irrita. Quero cortar suas mãos para que não chamem mais minha atenção.
Sou covarde, mas realista. Queria bater na sua cara até seus dentes caírem e seu sangue se esparramar pelos meus pés. Queria que minhas mãos doessem por dias e noites por causa dos tapas que eu teria te dado de presente. É coragem assumir a covardia que se tem?
Repito seu nome nas madrugadas a fio tentando compreender o porquê do ódio macio que se esconde sob suas sílabas.
É tanto sangue teu que quero espalhar em mim, é tanto ódio meu de querer te humilhar. Tanto daquele sentimento insosso que o coração confessa.
É tanto amor.

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